quinta-feira, 14 de novembro de 2013

“O Dia 20 de Novembro e a Mussuca”

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“O Dia 20 de Novembro e a Mussuca”

Em 10 de novembro de 2011 a Presidência da República institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, através da Lei 12.519. A data escolhida foi 20 de novembro em homenagem ao líder do Quilombo Palmares morto em combate defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista, local onde os negros escravizados aqui no Brasil se refugiavam. O dia 20 de novembro, aborda temas como: igualdade nas relações étnico-raciais, combate a discriminação e ao preconceito, além de discutir e trabalhar na conscientização da sociedade sobre a importância da etnia negra e sua influência na formação cultural do povo brasileiro, como podemos perceber no modo de ser, saber/fazer, nos lugares, na gastronomia, na religiosidade, nas manifestações artísticas e culturais, entre outros elementos que identificam a cultura brasileira, sendo parte integrante do patrimônio material e imaterial.
O município sergipano de Laranjeiras, possui uma das mais belas paisagens da arquitetura colonial, respira história e cultura, sendo um local destacado no século XIX como centro comercial de Sergipe, onde era desenvolvido no vale da Cotinguiba a atividade agro-açucareira, reunindo o maior número de africanos da província. O município possui uma localidade que é uma referência no que concerne a preservação da cultura afro-brasileira, estamos nos referindo ao Povoado Mussuca, considerado um dos mais significativos reduto da cultura afrodescendente de Sergipe. A comunidade recebeu o título de remanescentes quilombolas em 2006, pela Fundação Cultural Palmares.
No entanto, entendemos que não devemos tratar de questões inerentes aos negros somente em um dia, porém, o dia 20 de novembro é uma data que propicia encontros, diálogos e reflexões sobre temáticas que envolvem esses grupos étnicos, contribuindo para a melhoria na qualidade de vida desses povos considerados remanescentes de sociedade primitiva, que contribuíram de forma indelével para o desenvolvimento do nosso país.

Aracaju, 19 de novembro de 2013.

Marcos Paulo Carvalho Lima

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Patrimônio Imaterial: Cultura e Diversidade


Patrimônio Imaterial: Cultura e Diversidade

O Brasil é um país rico em diversidade cultural, contando, com influências herdadas de vários grupos étnicos e sociais que participaram da formação do país e ofereceram diferentes contribuições culturais, dentre eles: os africanos, portugueses, holandeses, italianos, árabes, japoneses, judeus, ciganos, entre outros. Uma identidade nacional formada por diversas culturas que essas pessoas trouxeram em seus modos, nas suas visões de mundo, nas suas memórias, em seus costumes e foram transformadas no contato com outras culturas já aqui presentes(os nativos indígenas). 
Sergipe conserva desde a fase colonial, edificações históricas e tradições culturais, como os folguedos, festas religiosas e as romarias. São Cristóvão por exemplo, esteve como centro da colonização e organização da Capitania de Sergipe durante anos e possuindo em seu patrimônio histórico e cultural bens materiais e imateriais de grande relevância, incorporados nas celebrações, nos rituais, mitos, saber/fazer, como: a culinária, as festas populares e religiosas, o artesanato, os grupos folclóricos, a saber: Caceteira, Chegança, Taieiras, Reisado, Samba de Coco, entre outras manifestações, como a festa de Nosso Senhor dos Passos, que é uma tradição secular que se perpetua até os dias atuais, como também a Queijada de São Cristóvão, marcos de referência histórica e turística para o município e o Estado de Sergipe.
A perspectiva de apreender a cultura a partir da dimensão valorativa e referencial que está na base do conceito de patrimônio imaterial se explicita através da noção de referência cultural, elemento estruturante da política de patrimônio imaterial que perpassa todos os processos de salvaguarda. Referências culturais poderiam ser definidas como “os sentidos de valores de importância diferenciada atribuídos aos diversos domínios e práticas da vida social(festas, saberes, modos de fazer, lugares e formas de expressão, etc). e que, por isso mesmo, se constituem em marcos de identidade e memória para determinado grupo social(PHAN, Manual de Aplicação do INRC. Brasília: IPHAN, 2000. Pag. 29).
Para que possa preservar um bem cultural, é importante saber não apenas que ele existe, mas também se a manifestação cultural é reconhecida pela população local, se as pessoas têm dificuldade ou não em realizá-la, que tipos de problema a afetam, como essa tradição vem sendo transmitida de uma geração para outra, que transformações têm ocorrido, quem são as pessoas que hoje atuam diretamente na manutenção dessa tradição, entre vários outros aspectos relativos à existência daquele bem cultural.

É de fundamental importância para o desenvolvimento socioeconômico e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, principalmente aquelas que vivem em cidades históricas o conhecimento e reconhecimento do patrimônio cultural e sua diversidade. Sendo assim, perceber o patrimônio cultural pelo viés da atividade histórica e turística requer uma compreensão de que o mesmo deve ser praticado de forma harmônica entre os seus agentes, (detentores/produtores), e a comunidade como um todo.

Aracaju, 22 de agosto de 2013.

Marcos Paulo Carvalho Lima