Patrimônio Imaterial: Cultura e Diversidade
O
Brasil é um país rico em diversidade cultural, contando, com influências herdadas de vários grupos étnicos e sociais que participaram da formação do país e ofereceram
diferentes contribuições culturais, dentre eles: os africanos, portugueses, holandeses,
italianos, árabes, japoneses, judeus, ciganos, entre outros. Uma identidade
nacional formada por diversas culturas que essas pessoas trouxeram em seus
modos, nas suas visões de mundo, nas suas memórias, em seus costumes e foram transformadas no
contato com outras culturas já aqui presentes(os nativos indígenas).
Sergipe conserva desde a fase colonial,
edificações históricas e tradições culturais, como os folguedos, festas
religiosas e as romarias. São Cristóvão por exemplo, esteve como centro da colonização e
organização da Capitania de Sergipe durante anos e possuindo em seu patrimônio histórico e cultural
bens materiais e imateriais de grande relevância, incorporados
nas celebrações, nos rituais, mitos, saber/fazer, como: a culinária, as festas
populares e religiosas, o artesanato, os grupos folclóricos, a saber:
Caceteira, Chegança, Taieiras, Reisado, Samba de Coco, entre outras
manifestações, como a festa de Nosso
Senhor dos Passos, que é uma tradição secular que se perpetua até os
dias atuais, como também a Queijada
de São Cristóvão, marcos de referência histórica e turística para o município e
o Estado de Sergipe.
A perspectiva de
apreender a cultura a partir da dimensão valorativa e referencial que está na
base do conceito de patrimônio imaterial se explicita através da noção de
referência cultural, elemento estruturante da política de patrimônio imaterial
que perpassa todos os processos de salvaguarda. Referências culturais poderiam
ser definidas como “os sentidos de valores de importância diferenciada
atribuídos aos diversos domínios e práticas da vida social(festas, saberes,
modos de fazer, lugares e formas de expressão, etc). e que, por isso mesmo, se
constituem em marcos de identidade e memória para determinado grupo social(PHAN,
Manual de Aplicação do INRC.
Brasília: IPHAN, 2000. Pag. 29).
Para
que possa preservar um bem cultural, é importante saber não apenas que ele
existe, mas também se a manifestação cultural é reconhecida pela população
local, se as pessoas têm dificuldade ou não em realizá-la, que tipos de
problema a afetam, como essa tradição vem sendo transmitida de uma geração para
outra, que transformações têm ocorrido, quem são as pessoas que hoje atuam
diretamente na manutenção dessa tradição, entre vários outros aspectos
relativos à existência daquele bem cultural.
É de fundamental importância para o desenvolvimento
socioeconômico e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas,
principalmente aquelas que vivem
em
cidades históricas o conhecimento e reconhecimento do
patrimônio cultural e sua diversidade. Sendo assim, perceber o patrimônio cultural pelo viés da
atividade histórica e turística requer uma
compreensão de que o mesmo deve ser praticado de forma harmônica entre os seus agentes, (detentores/produtores), e a comunidade como um todo.
Aracaju, 22 de
agosto de 2013.
Marcos Paulo
Carvalho Lima
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