CORPUS CHRISTI E A CONFECÇÃO DO TAPETE EM SÃO
CRISTÓVÃO/SE
Jornal do Dia, pag 04, Artigos, 29 de maio de 2015.
Corpus
Christi, expressão latina que significa Corpo de Cristo, é um evento religioso da Igreja Católica com o
objetivo de celebrar o mistério da Eucaristia, o Sacramento: corpo e sangue de
Jesus Cristo. A festa de Corpus Christi acontece sempre na quinta-feira ao
domingo da Santíssima Trindade, (seguinte ao de Pentecostes).
O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa.
Por isso, podendo a cada ano cair em datas diferentes.
É uma cerimônia religiosa que remonta ao
século XIII, instituída pelo Papa Urbano IV, no dia 08 de setembro 1264. Corpus
Christi é declarado feriado com ponto facultativo nacional no Brasil desde 1961.
São celebradas missas festivas e as ruas são
enfeitadas para a passagem da procissão onde é conduzido geralmente pelo pároco
da igreja, o Santíssimo Sacramento que é acompanhado por multidões de fiéis em
cada cidade brasileira, principalmente as cidades históricas.
A tradição da confecção do tapete
surgiu em Portugal e
veio para o Brasil com
os colonizadores. O fato de enfeitar
as ruas começou pela cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. A procissão percorre
as principais vias públicas, seguindo recomendação do Código de Direito
Canônico que determina ao Bispo Diocesano que tome as providências para que
ocorra toda a celebração, visando testemunhar a adoração e veneração para com a
Santíssima Eucaristia.
A procissão de Corpus
Christi tem como intuito vivenciar a caminhada do povo de Deus, peregrino, em
busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino, foi
alimentado com o maná no deserto. No Novo Testamento, com a instituição da
Eucaristia, o povo é alimentado com próprio “Corpo de Cristo”.
Em Sergipe, na cidade
histórica de São Cristóvão, pessoas de todas as idades acordam cedo neste dia
para confeccionar os tradicionais tapetes para a procissão. Os tapetes são
feitos nas principais ruas do centro histórico da cidade.
São Cristovão, quarta
cidade mais antiga do país, fundada 01 de janeiro de 1590, possui complexos
arquitetônicos belíssimos, um deles é a Praça São Francisco, chancelada em 01
de agosto de 2010 com o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
A antiga Subsecretaria de Estado do Patrimônio
Histórico e Cultural (SUBPAC), há cinco anos, apoiou a confecção dos tapetes,
que envolve este ano, de acordo com uma das organizadoras Vânia Correa, nove
ruas (Tobias Barreto, Largo da Matriz, Praça da Matriz, Praça do Carmo, Messias
Prado, Prof. Leão Magno, Praça São Francisco e Ivo do Prado) do centro
histórico, num percurso de 1200 metros.
A SUBPAC tinha como
objetivo manter e preservar as tradições culturais de Sergipe, como também
elaboração e execução de programas e projetos, no caso do Tapete de Corpus
Christi, na articulação de aquisição dos materiais para a sua realização. Este
ano, a organização conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura.
Os materiais utilizados
para a confecção artística são: Pó de Xadrez, adquirido em Aracaju, nas cores:
vermelho, verde, azul, amarelo e marrom; Sal Grosso, comprado de uma das
Salinas do município de Nossa Senhora do Socorro; Tinta Alenina, nas cores:
vermelho, verde bandeira, vinho, roxo, azul marinho e preto (as aleninas são adquiridas
no Rio Grande do Sul desde 2005); além da matéria prima vinda da Fábrica Marata,
sendo que essa é a primeira vez que está sendo utilizada.
Segundo Vânia Correa, em
2015, é a primeira vez que está sendo realizado um trabalho nas escolas de São
Cristóvão, com o sentido de difundir e estimular os estudantes a se envolverem
com essa ação religiosa que faz parte do calendário oficial brasileiro. O
evento será realizado no dia 04 de junho, (quinta-feira), a partir das 15
horas, com a Missa Solene, em seguida procissão acompanhada pela banda do Corpo
de Bombeiros.
É de fundamental importância
a divulgação e promoção dessa manifestação, objetivando cada vez mais atrair
visitantes para o Centro Histórico da Cidade e manter o espírito de cooperação
e união dos fies, sobretudo, pela organização do evento, por meio da preparação
e produção do tradicional tapete, integrando a comunidade religiosa nas
igrejas, em conjunto com a comunidade envolvida. Faz-se necessário também, levar
o conhecimento e a prática da produção artística, à jovens e adultos para que a
tradição perpetue. Muitas famílias se unem a fim de dar continuidade às
tradições de embelezar as casas e as ruas para a passagem da procissão. E
preciso salvaguardar essa continuidade histórica para que as gerações vindouras
entendam o sentido e a importância de se preservar essa tradição.
Aracaju,
28 de maio de 2015.
Marcos Paulo Carvalho Lima
Licenciado em História pela
UFS
Especialização em Ensino para
a Igualdade
nas
Relações-Étnico-Raciais/FSLF
Pesquisador