segunda-feira, 9 de março de 2015

A Taieira de Laranjeiras, bem cultural reconhecido como patrimônio imaterial sergipano




Os folguedos são festas de caráter popular cuja principal característica é a representação teatral, a dança, os cantos e a música. A maioria dos folguedos possui origem religiosa e raízes culturais dos povos que formaram a nossa cultura (indígenas, africanos e portugueses). No entanto, muitos folguedos com o passar dos anos foram incorporando mudanças culturais e adicionando, às festas, novas coreografias, vestimentas e indumentárias, integrando ao folclore brasileiro. Em quase todo o território brasileiro pode se encontrar folguedos, porém, é no nordeste que se fazem mais presentes.
Para a antropóloga Beatriz Góis Dantas, com relação às expressões artísticas procedentes da cultura dos escravos, encontraram na música e na dança um substituto para as liberdades políticas formais que lhes foram negadas. Como ressalta Paul Gilroy(2001, p.129) “ a arte se tornou a espinha dorsal das culturas políticas dos escravos e de sua história cultural” e até hoje representa um poderoso instrumento no processo de comunicação social dos descendentes africanos com os demais segmentos sociais. A dança ritual das Taieiras, executada no contexto das festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, cujo conteúdo cultural aparece associado à devoção dos santos negros.
As culturas expressivas negras-em especial a música e a dança – participaram ativamente de história cultural e política dos africanos e de seus descendentes no Brasil. As manifestações do chamado folclore negro, a exemplo da taieira, congada, maracatu, lambe-sujo, etc, são parte construtiva da nossa memória coletiva, expressões culturais sem as quais dificilmente saberíamos o que fomos e o que nos tornamos como povo e como nação. Na base desses repertórios teatral, cênico e musical, iremos encontrar formas culturais híbridas ricas em simbolismo e significado. (DANTAS, Beatriz, A Taieira de Sergipe).
Os folguedos se apresentam em toda época do ano, porém, após o período junino, inicia-se outro momento que segue até o ciclo natalino, como dizia o folclorista brasileiro, membro fundador da Comissão Nacional do Folclore, Teothônio Vilela Brandão: “Ao apagar das fogueiras juninas, inicia-se o período de ensaios para os vários folguedos natalinos. Em diversas regiões do Estado de Alagoas, aos sábados e domingos, reúnem-se mestres, tocadores, ensaiadores e brincantes para os ensaios desses grupos, geralmente realizados ao lado de bodegas, onde o proprietário consegue recursos para o traje da brincadeira”. (BRANDÃO, Théo, Folguedos Natalinos).
Taieira-folguedo de caráter extremamente religioso, no entanto tem seu lado profano, dada a lascivicidade característica da coreografia de determinadas estrofes das músicas que são cantadas. Taieira é uma corruptela variante das Talheiras, dança em que eram comum o uso de talhas como elemento básico da coreografia e ritual. No Brasil a sua presença teve registro na Bahia a partir do século XVIII. É um folguedo que, pelas análises pode-se afirmar como de origem afro-luso brasileira porque se apóia no elemento aculturativo. O seu objetivo é a louvação, e esses louvores são dirigidos a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito, ou mais precisamente, A Nossa Senhora do Rosário, vencedora de Loponto e igualmente protetora dos escravos. LARANJEIRAS: “um museu a céu aberto”, Banco do Nordeste do Brasil S.A, Fortaleza. 1983.
A Taieira de Laranjeiras surgiu em meados do século XIX, com a avó e a mãe de Dona Bilina, herdeira da tradição religiosa africana Nagô de Ti Herculano, que passa a liderar a taieira por volta de 1902/1903. Dona Bilina faleceu em 27 de setembro de 1974, em seguida a taieira fica sob a liderança de Dona Maria de Lourdes Santos, que veio a falecer em outubro de 2002. Após o falecimento de Dona Lourdes, sua filha Bárbara Cristina dos Santos passa a liderar o grupo, a partir de janeiro de 2003. A Taieira de Laranjeiras é reconhecida como Patrimônio Imaterial Sergipano, através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013.
O grupo é pertencente ao ciclo natalino, sai em cortejo pelas ruas de Laranjeiras, e quando são convidadas a participar de eventos e/ou encontros onde ocorrem manifestações da cultura tradicional. Fazem parte do grupo a Rainha, reminiscência dos antigos reis de Congo, acompanhada dos seus ministros, capacetes e dançarinas, em direção à igreja onde é celebrada a grande Missa de dia de Reis. A coroação da Rainha da Taieira é uma cerimônia que se repete a várias décadas seguindo o mesmo ritual. No final da missa o padre celebrante retira a coroa da imagem de Nossa Senhora do Rosário e coloca na cabeça da Rainha da Taieira. Nesse momento os sinos da igreja tocam, fogos estouram e os grupos folclóricos dançam e cantam louvores para os Santos e para a Rainha da Taieira. É uma manifestação de muitas cores, cantos e danças, uma hibridização do sagrado e do profano bem marcante da cultura afro-brasileira, como também, manifestada no catolicismo popular nordestino. Caracterizado pelo seu cunho estritamente ritualista, colocando acima de simples manifestação figurativa e teor místico dos cultos afros. A sua coreografia é de uma simplicidade singular e, acrescido do colorido das vestes e adereços dos participantes.
Atualmente compõem a Taieira de Laranjeiras: Taieiras/dançarinas 23, Guias 02, Rainhas 02, Lacraias, 02, Rei 01, Ministro 01, Capacete 02, Patrão 01, totalizando 34 componentes. Há uma variação no número de participantes, isso depende do dia e momento da apresentação. A cada ano pode mudar a quantidade de componentes do grupo. Normalmente as crianças ingressam no grupo com 03 anos de idade e a faixa etária vai até os 80 anos.
O dia 06 de janeiro tem sido sempre salientado no calendário da cidade de Laranjeiras, aí celebra a festa de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, cultuada pelas pessoas mais devotadas e sensíveis aos rituais e tradição. A comemoração contém um caráter acentuadamente popular, evidenciando o festejo da Taieira, cujo feitio peculiar, revela a presença de uma continuidade cultural. (DANTAS, Beatriz Góis).
Para Dantas, a temática das cantigas da Taieira é bastante rica prendendo-se ora a motivos profanos, ora a motivos religiosos refletindo os anseios e situações sociais do passado e do presente, através dos cantos. A coordenadora e organizadora da Taieira de Laranjeiras é Dona Cisa(Maria do Espírito Santo), tutora de Bárbara e responsável por cuidar do material, tem a função de confeccionar as indumentárias, adereços, entre outros materiais que compõe a parte tangível do bem cultural.
Como disse um dos maiores pesquisadores e folclorista que Sergipe já teve e tem a Honra de fazer parte de sua história, Luiz Antônio Barreto, O folclore sergipano, não perdeu, de modo algum, a sua importância como livro pioneiro, na sistemática da cultura popular, seguindo trilhas abertas por Sílvio Romero, a partir da década de 70 do século XIX, João Ribeiro, a partir do curso ministrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1913, Clodomir Silva, como o clássico Minha Gente, de 1922. Paulo de Carvalho-Neto, cuja biografia de antropólogo está repleto de livros, antigos comentários em diversos países da América Latina, nos Estados Unidos e no Brasil, ocupa lugar destacado também em sua terra natal, pelo valioso livro que dedicou ao folclore de Sergipe. Incluo nesse hall de renomados estudiosos, o historiador e folclorista José Calazans, a professora Aglaé D’Ávila Fontes e a professora Beatriz Góis Dantas, pelas diversas obras, publicações e textos dedicados até os dias atuais, a história e a cultura sergipana.
A Taieira de Laranjeiras é um bem cultural que o Estado de Sergipe reconhece através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013, encontra-se em processo de estudos pelo órgão que cuida do patrimônio histórico e cultural de Sergipe, visando à inscrição num Livro de Registro como Formas de Expressão, após a elaboração e publicação de um Decreto que cria os supracitados Livros de Registro e o Programa Estadual de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial. A Taieira fica localizada na praça onde ficam as ruas da Cacimba e Alegria. O Bem cultural não tem nenhuma fonte de renda voltada a preservação do grupo folclórico. É importante a criação de mecanismos que vise à manutenção do grupo. Não é fácil manter um grupo folclórico! É necessário que os poderes públicos e privados olhem mais para esses grupos, pois, eles salvaguardam parte de nossa história e memória. 


Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador
Licenciado em História/UFS
Especialização em Ensino para a
Igualdade nas Relações Étnico-Raciais/FSLF

Fontes Consultadas:
BRANDÃO, Théo.  Folguedos Natalinos de Alagoas. Imprensa Oficial de Alagoas,
Maceió, 1961.
DANTAS, Beatriz Góis, A Taieira de Sergipe: uma dança folclórica. 2ª edição. Editora UFS. São Cristóvão/SE, 2013.
NETO, Paulo de Carvalho. Folclore Sergipano, 2ª edição em língua portuguesa. Sociedade Editorial de Sergipe.
_______LARANJEIRAS: “um museu a céu aberto”, Banco do Nordeste do Brasil S.A, Fortaleza. 1983.
_______Sua Pesquisa.com-Folguedos o que são folguedos folclóricos, natalinos, festas populares.

quarta-feira, 4 de março de 2015

FESTA NOSSO SENHOR DOS PASSOS DE SÃO CRISTÓVÃO/SE: Aprovada pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Imaterial Sergipano

http://www.jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=15033

Tão logo os carmelitas aportaram em Sergipe d’El Rey, em 1618, já trataram de construir um rico complexo arquitetônico, que compreende Convento, Igreja e Sede da Ordem Terceira. Atualmente a Igreja da Ordem Terceira do Carmo(ou Carmo Menor), é denominada da Igreja Senhor dos Passos, e dela parte de uma das maiores e mais tradicionais festividades religiosas de Sergipe: a Festa Nosso Senhor dos Passos. A Igreja Nossa Senhora do Carmo (Carmo Maior) abriga várias imagens de rara beleza e inestimável valor cultural e retrata fielmente o barroco brasileiro dos séculos XVII e XVIII. (São Cristóvão. Berço de Sergipe, Guia de Visitação).

No Conjunto do Carmo há dois espaços: O Museu/ou Memorial de Ex-Votos e o Memorial da Irmã Dulce, que abriga um acervo referente a sua passagem por Sergipe, historicamente, são colocadas oferendas em agradecimento as graças alcançadas.
Além de turistas oriundos dos diversos estados e de municípios sergipano, a tradicional festa Nosso Senhor dos Passos reúne romeiros e devotos para agradecer as graças alcançadas e realizar promessas. Os romeiros descem e sobem as ladeiras do município de São Cristóvão cantando e rezando.
Antes do fim de semana que ocorre a Festa, acontecem os três primeiros Ofícios, sempre nas sextas-feiras. O quarto Ofício é chamado de: Ofício da Festa. Prosseguindo, são realizados os três últimos Ofícios, totalizando os Sete Ofícios de Nosso Senhor dos Passos. Em outro momento, focarei mais sobre os Ofícios de Passos e a Verônica. Recomendo leitura dos trabalhos de: Magno Francisco e Ivan Rêgo, alguns se encontram nas fontes consultadas.
As Procissões de Senhor dos Passos são realizadas nos segundos sábado e domingo após a realização do carnaval. Na sexta á noite os fiéis rezam o Ofício da Paixão de Jesus Cristo, em seguida a missa, após, acontece o momento que vem ocorrendo nos últimos anos, o Ensaio para a peregrinação do sábado. No sábado ocorre à primeira procissão, após a Missa Campal realizada a noite na Praça do Carmo, em seguida os romeiros cantam e caminham pela cidade, seguindo roteiro, os sete primeiros passos da Paixão, que são realizados em locais definidos, seguindo tradição, onde são erguidos pequenos altares com uma tela representando a passo a ser cantado pelos cantadores. Os fiéis carregam velas acesas, muitos dos ex-votos são deixados na Igreja noite do sábado e às vezes na sexta. Como havia dito anteriormente, o cortejo sai da Igreja do Carmo, cantores, músicos e promesseiros, seguindo a imagem de Senhor dos Passos. No final da caminhada pelas ruas de São Cristóvão, conforme escrito acima vão até a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória, de onde sairá somente no domingo à tarde. A Romaria segue em silêncio, grande parte dos promesseiros vestem túnica roxa. Saem acompanhando a imagem de Senhor dos Passos. A procissão diurna, chamada Procissão do Encontro, realizada na tarde do domingo tem dois cortejos: Um acompanha o Senhor dos Passos da Igreja Matriz em direção a Praça São Francisco onde ocorre o referido Encontro, são cantados três passos neste percurso, em todos os anos as ruas são as mesmas, porém, muda o local/residência onde para a Romaria, em 2015: 1º Passo, beco da Poesia(casa de Dona Marita); 2 º Passo, na rua Frei Santa Cecília, (casa de Dona Gilza), os Passos são parados em frente as residências, 3º Passo, Praça são Francisco, de onde prosseguem a romaria. O outro cortejo sai da igreja do Carmo acompanhando a imagem de Nossa Senhora em direção à mesma praça. Um sermão é realizado no momento do encontro das imagens, logo após ouve-se o canto da Verônica, o momento mais aguardado pelos romeiros. Os promesseiros atiram suas vestes penitenciais em direção às imagens.
De acordo com o pesquisador Ivan Rego, a referida festa é destinada à renovação de votos em favor do Senhor dos Passos, um dos mistérios da Paixão. São dois dias de celebração onde o Martírio de Cristo e a Dor de Sua Mãe ao presenciá-lo a caminho da Crucificação, são relembrados por milhares partícipes que chegam de várias partes do estado e do Brasil. Os devotos, fiéis, promesseiros, penitentes, turistas e observadores dão a solenidade são cristovense o tom de festa polissêmica e multifuncional onde o destaque fica tanto praças, ações penitenciais públicas relacionadas ao ideal de imitação de um Cristo que sofreu, como para as ações de desobriga. Esses atos de fé e religiosidade em São Cristóvão atestam a eficiência do compromisso entre devoto e o Senhor dos Passos. (ARAGÃO, Ivan. Festa, Memória e Turismo Cultural-religioso)
As festas com base no caráter sagrado ou profano são acontecimentos tradicionais, que deslocam grande contingente de pessoas em busca de conforto espiritual, equilíbrio psicológico, fuga do cotidiano, lazer e enriquecimento cultural. Embora em mais de cinco séculos de presença portuguesa no Brasil, as festas profissionais de origem ibérica tenham se ressignificado, as mesmas são “uma das mais antigas manifestações da vida social no Brasil. Elas diferem umas das outras conforme a época e a sociedade, mas, invariavelmente, representam os valores, reforçam as estruturas sociais e ajudam a construir a identidade de um grupo. ( REGO, Ivan [...]”, apud Ferreira, 2009, p. 11).
Ainda no artigo de Ivan, as celebrações sagradas dão instrumentação para identificar nesses eventos uma vivência do religioso incorporado ao cultural, possibilitando, muitas vezes, a recuperação da própria identidade (Martins & Leite, 2006). No país, ainda predomina o catolicismo como religião em destaque, nesse contexto, ao longo do ano as festas de padroeiros e santos fazem parte do dia a dia das pessoas. Iniciando em janeiro, com as comemorações dos Santos Reis; em abril, a Semana Santa; passando por datas festivas como Corpus Christi e festas do ciclo junino, em junho; e finalizando com o Natal, em dezembro; há ainda as homenagens aos santos e padroeiros, no calendário litúrgico anual. Santos e Nunes (2005), refletem que:

As festas constituem um dos principais momentos do catolicismo popular. É difícil imaginar o cotidiano de uma pequena cidade brasileira sem as agitações das novenas, santas missões, acompanhamentos e procissões. Essas são algumas expressões de religiosidade que acabam por se tornar um grande instrumento para se compreender a sociedade na qual estão inseridas (p. 98). (IBID)    

O pesquisador Magno Francisco, que se dedica há anos estudos sobre religiosidade, nos diz que: “A romaria do Senhor dos Passos também é o lócus dos sentidos. Para sentir o tempo de penitência dos Passos podemos fechar os olhos e ouvir o dobrar dos sinos, os motetos dos sete Passos, o lastimoso canto da Verônica ou os benditos dos pedintes. Podemos sentir os cheiros que rondam a cidade, com os cabelos queimados pelas velas na Procissão do Depósito, com o manjericão exposto nos andores. O paladar também é inconfundível com as famosas queijadas e briceletes vendidos nas ruas e ladeiras da cidade. O calor humano transcende o espaço da igreja, sentido no aperto entre os devotos transportando os andores do Senhor dos Passos e da Virgem da Soledade pelas ruas estreitas. Podemos finalmente abrir os olhos e ver o colorido dos parques de diversões na cidade baixa, o roxo nas sacadas dos casarões, das igrejas e dos corpos dos romeiros, sem esquecer do que os devotos fazem questão de destacar: a beleza dos "olhos vivos dos Senhor dos Passos".
Com relação à guarda da imagem, de acordo com o historiador Thiago Fragata, conforme reza e tradição, a imagem de Senhor dos Passos e a organização do ato processional ficava aos encargos dos leigos da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, transformada em Associação em 1977. No passado, São Cristóvão foi centro político e religioso da Capitania Del Rey. Assim, segundo Fragata, esse antigo centro de convergência religiosa preserva manifestações culturais do período colonial, como a Procissão de Senhor dos Passos.
Para ele, não é possível datar com exatidão o início da maior Romaria de Sergipe, os indícios acenam que tudo iniciou no final do século XVIII ou início do XIX. Com base em Serafim Santiago, Fragata diz: “consta que a imagem articulada, chamada de roca, em razão das características constitutiva e mobilidade, foi encontrada no rio Paramopama, afluente do Vaza Barris.
No ano de 2010, o Arcebispo José Palmeira Lessa, através de Decreto, oriundo da Arquidiocese de Aracaju, determina: 1 – A Festa Senhor dos Passos da Cidade de São Cristóvão será sempre da responsabilidade e coordenação do sacerdote que tenha a cura pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Vitória; 2 – A antiga e venerável imagem do Senhor dos Passos, conservada no templo chamado Carmo Menor, bem como todo o acervo aí presente, é de responsabilidade de quem ocupa o Convento do Carmo, atualmente os frades da Ordem Carmelita; 3 – Em se tratando de levar a imagem do Senhor dos Passos em peregrinação, fora da tradicional procissão no Tempo da Quaresma, utilizar-se-á sempre uma réplica, confeccionada para este fim, e nunca a imagem original. (retirado na íntegra).
A Festa Nosso Senhor dos Passos, não somente para os são cristovenses, mas, para os sergipanos, principalmente a comunidade católica, possui um valor histórico e cultural, de cunho tradicional religioso. O pedido de registro foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura, Processo nº22/10, de 02 de julho de 2010, assunto: Registro Senhor dos Passos, como bem imaterial do patrimônio cultural sergipano. Autora da propositura: Ana Nascimento Fonseca Medina, a relatora do processo, foi a conselheira Ana Conceição Sobral de Carvalho, segundo a relatora: 
A magnitude e a abrangência do fato cultural preservado até os dias de hoje, pela comunidade devocional, torna relevante o reconhecimento oficial através do registro como bem imaterial do patrimônio cultural sergipano. (SORBRAL, Ana Conceição de carvalho).
            Para Ana Conceição, assim conhecida, aliada ao registro como patrimônio imaterial, é importante elaborar projeto de mapeamento detalhado do conjunto que envolve o ato religioso e está em seus vários aspectos, como rituais de penitencia, objetos devocionais, músicas, cantos, culinária, entre outros fatos que emanam desse universo místico, para efeito de estudo, publicação e difusão.
Do ponto de vista social, as comunidades, os grupos de pessoas que se reúnem à volta de “uma fé”, fazem da educação o ponto de aprendizagem dos fenômenos religiosos da sua relação com o divino na perspectiva que o ser intelectual só é na sua plenitude enquanto produto do espiritual. Esta relação intelectualidade/espiritualidade constitui-se como parte integrante dum patrimônio religioso e ao mesmo tempo sinal de pertença de um lugar. (CAMPOS, Fernando, Educação e Religião: Patrimônio, Pertença e Identidade).

Todavia, este referencial de cultura também alcança vertentes que envolvem o âmbito social e econômico local, sobretudo, os significados que as comunidades e sociedades atribuem à importância daquele bem religioso/cultural, influenciando os vários meios de difusão inerente também ao âmbito do turismo.
O pluralismo cultural e religioso, apreendido nos estudos das sociedades multiculturais é retransmitido através de veículos acadêmicos onde perpassam todo o viés de segmentos religiosos, onde a cultura predominante em certo âmbito geográfico utilizará de seu entendimento com o campo da divindade, seguindo herança, a fim de dar continuidade também aos processos educativos de ensino/aprendizagem e a transmissão da tradição religiosa de geração para geração.


Aracaju, 25 de fevereiro de 2015.

Marcos Paulo Carvalho Lima
Licenciado em História pela UFS
Especialização em Ensino para a
Igualdade nas Relações Étnico Raciais/FSLF
Pesquisador

Fontes Consultadas:

ARAGÃO, Ivan Rego,. Análise do Marketing Religioso na “Segunda Maior Romaria do Nordeste Brasileiro no Período da Quaresma” História Agora: A Revista do Tempo Presente.
ARAGÃO, Ivan  Rego.  Festa, Memória e Turismo Cultural-Religioso: A Procissão ao Nosso Senhor dos Passos, em São Cristóvão-Sergipe.  Revista  Rosa dos Ventos.
SANTOS, Magno Francisco de Jesus, NUNES, Verônica Maria Meneses, Na Trilha dos Passos do Senhor: A Devoção ao Senhor dos Passos de São Cristóvão/SE. Revista da Fapese de Pesquisa e Extensão, v. 2, p. 97-110, jul./dez. 2005
SANTOS, Magno Francisco de Jesus, Os Últimos Passos de uma Devoção: Indícios da religiosidade de um nobre sergipano oitocentista. Historien, Revista de História(3) apr/set de 2010.