terça-feira, 24 de maio de 2016

A Confecção do Tapete de Corpus Christi em São Cristóvão/SE

A Confecção do Tapete de Corpus Christi em São Cristóvão/SE
A festa de Corpus Christi (O Corpo de Cristo) acontece sempre na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade, seguinte ao de Pentecostes. O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa. Por esse motivo, ocorre em datas diferentes a cada ano. Neste dia, durante a procissão, o Santíssimo Sacramento é acompanhado por multidões de fiéis católicos no mundo inteiro, e no Brasil, principalmente nas cidades históricas. Antes, são celebradas missas solenes e as ruas são enfeitadas (formando tapetes) para a passagem da procissão onde é conduzido geralmente pelo pároco da cidade. Neste texto falarei sobre a produção artística dos tapetes na cidade histórica de São Cristóvão, a palavra tapete será repetida por diversas vezes.
A tradição da confecção dos tapetes surgiu em Portugal vindo para o Brasil pelos colonizadores.  Percorre as principais vias públicas seguindo recomendação do Código de Direito Canônico, onde determina ao Bispo Diocesano tomar providências para que ocorra toda a celebração, visando testemunhar a adoração e veneração para com a Santíssima Eucaristia.
No Estado de Sergipe, na cidade histórica de São Cristóvão quarta mais antiga do Brasil, a cada ano consolida essa tradição de enfeitar as ruas com belíssimos tapetes produzidos pela comunidade local. Pessoas de todas as idades começam as atividades no dia anterior, geralmente no fim da tarde, pernoitam e seguem com a produção até o fim da manhã do dia seguinte. Quem participa no dia de Corpus Christi acorda cedo para ajudar a confeccionar os tapetes pelas ruas onde a procissão vai passar. São feitos nas principais ruas do centro histórico da cidade. É uma ação coletiva, liderada pela são cristovense Vânia Correia, que coordena há dez anos toda a confecção em São Cristóvão, da elaboração do projeto que conta com vários patrocinadores e apoiadores à execução, principalmente na aquisição dos materiais. É um trabalho que requer muita dedicação e sensibilização.
Este ano a procissão percorre as seguintes ruas do Centro Histórico, a saber: Largo da Matriz, Tobias Barreto, Praça do Carmo, Messias Prado, Prof. Leão Magno, Almirante Aminta Jorge, Largo do Rosário, Coronel Erondino Prado, Praça São Francisco, Ivo do Prado e Praça da Matriz, num percurso de 1200 metros.
A Secretaria de Estado da Cultura através da Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural/DPHAC apóia manifestações artísticas e culturais, com o objetivo de manter e preservar tradições culturais de Sergipe, como também, colaborar na elaboração e execução de programas e projetos, nesse caso, na difusão e apoio logístico para a produção dos tapetes. O IPHAN através do Escritório de São Cristóvão atua no apoio logístico e com apresentações nas escolas da cidade, sobre o tema. O Centro de Cultura e Arte da Universidade Federal de Sergipe está disponibilizando equipes do curso de design para colaborar na produção dos tapetes na madrugada do dia 26, até o fim da manhã. São duas turmas que revezarão. Como também, o Cultart se responsabilizou pela confecção da arte de divulgação do evento religioso. No caso da prefeitura local, este ano teve uma participação mais efetiva através da Fundação João Bebe Água, sendo fundamental esse envolvimento, através da Presidente Dilene Job.
Os materiais utilizados para a confecção artística este ano, são: 200 quilos de Pó Xadrez, adquirido em Aracaju, nas cores: verde, vermelho, amarelo e azul; 600 sacos de maravalha advindas de diversas madeireiras de Aracaju e Itabaiana; quinze mil quilos de Sal Grosso vindo do Rio Grande do Norte, adquirido pela Prefeitura de São Cristóvão e as tinta anelina nas cores: vermelho, verde bandeira e preto (as anelinas são adquiridas da cidade de Porto Alegre/Rio Grande do Sul desde 2005); São colhidos também, borras de café doadas por instituições e entidades públicas e privadas.  
Pelo terceiro ano está sendo realizado um trabalho nas escolas de São Cristóvão, através da historiadora Kleckstante Farias, chefe do Escritório do IPHAN em São Cristóvão junto com Vânia, que está na condição atualmente de Coordenadora de Educação Patrimonial da DPHAC. Elas apresentam em data show o significado de Corpus Christi e como são produzidos os tapetes. Imagens são mostradas para os alunos, desde o preparo até os tapetes prontos nas ruas da cidade. O sentido maior é difundir e estimular os estudantes a se envolverem nessa ação religiosa que faz parte do calendário oficial brasileiro, sobretudo, despertar o sentimento de pertencimento. Esse trabalho de educação patrimonial nas escolas é primordioso.
 A divulgação e promoção dessa manifestação cada vez mais atraem visitantes para o Centro Histórico da Cidade e mantém o espírito de cooperação e união dos fies, sobretudo, pela organização do evento por meio da preparação e produção dos tapetes, integrando a comunidade religiosa nas igrejas, em conjunto com a comunidade envolvida, para que a atividade perpetue e a tradição dos tapetes na cidade se consolide de fato. Muitas famílias se unem a fim de dar continuidade às tradições de embelezar as casas e as ruas em dias de procissão.
Este ano, apesar das dificuldades em adquirir os materiais para produzir os tapetes, a integração da Prefeitura Local, através da Fundação João Bebe Água, Secretaria Municipal de Educação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN/SE, a Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural/DPHAC/SECULT e o Centro de Cultura e Arte da Universidade Federal de Sergipe, colaborou muito no que se refere à organização do evento junto à coordenadora e a Paróquia Nossa Senhora da Vitória.
Assim, as manifestações artísticas, culturais e religiosas de Sergipe, se potencializam a cada ano quando as ações são feitas de forma compartilhada. Nesse sentido, a DPHAC através de sua equipe iniciou um trabalho de documentação sobre a Confecção dos Tapetes de Corpus Christi de São Cristóvão, a fim de criar um caderno para consulta de acesso ao público interessado, os profissionais acompanharão a produção dos tapetes desde o inicio no dia 25, até após a procissão no dia 26. A documentação conterá: Registro iconográfico, entrevistas, produção de um documentário e textos.
A Programação inicia no próximo dia 26 às 14:30 com Missa Solene na Igreja Matriz, em seguida a Procissão acompanhada da Banda de Música do Corpo de Bombeiros.
Maiores informações sobre a Procissão de Corpus Christi em São Cristóvão, procurar o Pároco Frei Rosenildo. Referente à Confecção dos Tapetes, procurar a coordenadora Vânia Correia, contato: 99135-2007.
Realização: Paróquia Nossa da Vitória e Comunidade São Cristovense.

Aracaju, 23 de maio de 2016.


Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador

Entrevistas:
Denize Santiago
Kleckstante Farias

Vânia Correia
JORNAL DA CIDADE


14/08/2015 ÀS 09H10 - ARTIGOS

Folclore e o Patrimônio Cultural Brasileiro

Licenciado em História pela UFS, Especialização em Ensino para a Igualdade nas Relações Étnico-Raciais pela FSLF e Pesquisador
Por: Marcos Paulo Carvalho Lima
A cultura popular tradicional, que envolve o folclore, os folguedos populares, o artesanato, as quadrilhas juninas, as culturas oriundas de comunidades indígenas, as afro-brasileiro, as ciganas, ribeirinhas, as com influência árabe, a culinária, são elementos formadores do patrimônio cultural brasileiro.
Em 1965 o Congresso Nacional oficializou que todo o dia 22 de agosto será celebrado o Dia Nacional do Folclore. É um momento comemorativo, entendemos como uma das formas de trabalhar no sentido de valorizar e difundir as histórias e culturas de personagens do folclore desse país rico em diversidade cultural. O Folclore está inserido também no contexto do que compreende o patrimônio cultural. O dia 17 de agosto é o dia do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro. No entanto, para considerar bens culturais como patrimônio, precisa do reconhecimento da comunidade local e a sociedade, em conjunto com os fazedores dos saberes e fazeres dessas culturas referenciais e representativas de época, com apoio dos órgãos governamentais. Podemos indagar de tal forma: O que é ser brasileiro? Para os sergipanos, O que é ser Sergipano? Isso são questões que constantemente devem ser abordadas pelas instituições educacionais e culturais. A brasilidade e a sergipanidade. Dessa forma, para obtermos entendimentos sobre identidades culturais, um tema bastante complexo, os estudos acadêmicos e realizados por profissionais da área do patrimônio cultural sãos primordiais. Não podemos deixar de citar estudiosos como o sergipano Sílvio Romero, Câmara Cascudo, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire, entre outros, colaboradores para o processo de identificação das culturas identitárias do país. 
As primeiras medidas para o reconhecimento de um bem como patrimônio cultural, é o encaminhamento de propositura ao Conselho Estadual de Cultura ou de Patrimônio como ocorre em alguns estados que existe Conselho de Patrimônio Cultural, devendo conter: introdução, justificativa, documentação iconográfica, vídeos, entre outros meios que subsidiem o pedido, podendo ser feito por órgãos públicos, cidadãos, organizações da sociedade civil, associações, entre outros. Neste contexto, o Governo do Estado de Sergipe, reconhece através de Decreto, os grupos folclóricos: A Taieira e o São Gonçalo, ambos do município de Laranjeiras como Patrimônio Imaterial Sergipano. 
Concernente A Taieira de Laranjeiras, surgiu em meados do século XIX, com a avó e a mãe de Dona Bilina, herdeira da tradição religiosa africana Nagô. Dona Bilina faleceu em 27 de setembro de 1974, em seguida a taieira fica sob a liderança de Dona Maria de Lourdes Santos, que veio a falecer em outubro de 2002. Após o falecimento de Dona Lourdes, sua filha Bárbara Cristina dos Santos passa a liderar o grupo, a partir de janeiro de 2003. A Taieira de Laranjeiras é reconhecida como Patrimônio Imaterial Sergipano, através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013. O grupo é pertencente ao ciclo natalino, sai em cortejo pelas ruas de Laranjeiras, e quando são convidadas a participar de eventos e/ou encontros onde ocorrem manifestações da cultura tradicional.
Referente a Dança de São Gonçalo, de acordo com a pesquisadora Aglaé D’Ávila, é uma dança de origem portuguesa, em louvor a São Gonçalo do Amarante, organizada geralmente em pagamento de promessa ou voto de devoção. Fazendo parte da bagagem cultural lusitano, a dança que integrava o culto a São Gonçalo de Amarante, popular em Portugal, foi introduzida no Brasil, sendo aqui registrada pela primeira na Bahia em 1718. 
A Dança de São Gonçalo de Amarante da Mussuca é uma das manifestações folclóricas mais divulgadas e apreciadas pelos sergipanos. É talvez um dos ritos mais difundidos do catolicismo rural brasileiro. A Dança de São Gonçalo da Mussuca tem reconhecimento como Patrimônio Imaterial pelo Governo do Estado, através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013, o mesmo que reconhece A Taieira.
No entanto, para que as novas gerações possam desfrutar e apreciar essas culturas, é preciso que o poder público desenvolva mecanismos e programas visando à salvaguarda desses bens relativos, as formas de sociabilidade, a religiosidade, os modos de saber e fazer, os relacionados ao meio ambiente, entre outros. Por tanto, faz-se necessário ações de produção de conhecimento e documentação, de sensibilização da sociedade, instrumentos e mecanismos de fomento e promoção. Como diz a professora Ana Conceição Sobral de Carvalho, “O patrimônio cultural do povo deve ser preservado e vivenciado por cada um de nós, sem diferença de época ou poder!
Dessa forma, a fim de salvaguarda a memória coletiva de um povo, é fundamental estudos e pesquisas: filmagens, entrevistas, encontros, registros iconográficos, pesquisas de campo, estudos bibliográficos, elaboração de textos, sistematização de informações, inerentes aos bens culturais reconhecidos. Isso são procedimentos técnicos que chamamos de patrimonialização de um bem histórico e cultural, objetivando à elaboração de inventários e o registro de bens reconhecidos pelo Poder Público, em respectivos Livros de Registro. 
A fim de dar continuidade histórica aos bens culturais representativos, é preciso realizar projetos educativos e programas de educação patrimonial. 
Um exemplo que cito neste momento, é uma exposição denominada “Nosso Folclore”, que se encontra a partir do dia 10 de agosto deste ano na Biblioteca Pública Epifãnio Dória, atividade realizada através da Sala de Cultura Popular em parceria com a Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural/DPHAC e a Galeria de Arte J Inácio, ambas as unidades são vinculadas a Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe. A DPHAC é um organismo responsável por coordenar as ações e políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio cultural sergipano. A Galeria de Arte J Inácio, além de disponibilizar um espaço que propicia aos artistas plásticos sergipanos divulgar suas obras de artes, também colabora com montagem de exposições.
Essas ações são de fundamental importância para o processo educativo, de fomento, difusão e promoção do folclore e o patrimônio cultural, seja de ordem material e imaterial. Essas atividades possibilitam que as escolas e universidades tenham oportunidades de agendar durante o mês de agosto, atividades com objetivo de realizar aulas sobre a história e cultura local fora do âmbito de ensino, tanto o básico como o universitário e colabora com o exercício de educação patrimonial.

terça-feira, 2 de junho de 2015

CORPUS CHRISTI E A CONFECÇÃO DO TAPETE EM SÃO CRISTÓVÃO/SE

CORPUS CHRISTI E A CONFECÇÃO DO TAPETE EM SÃO CRISTÓVÃO/SE

Jornal do Dia, pag 04, Artigos, 29 de maio de 2015.

Corpus Christi, expressão latina que significa Corpo de Cristo, é um evento religioso da Igreja Católica com o objetivo de celebrar o mistério da Eucaristia, o Sacramento: corpo e sangue de Jesus Cristo. A festa de Corpus Christi acontece sempre na quinta-feira ao domingo da Santíssima Trindade, (seguinte ao de Pentecostes). O Corpo de Deus é celebrado no 60º dia após a Páscoa. Por isso, podendo a cada ano cair em datas diferentes.
É uma cerimônia religiosa que remonta ao século XIII, instituída pelo Papa Urbano IV, no dia 08 de setembro 1264. Corpus Christi é declarado feriado com ponto facultativo nacional no Brasil desde 1961.
 São celebradas missas festivas e as ruas são enfeitadas para a passagem da procissão onde é conduzido geralmente pelo pároco da igreja, o Santíssimo Sacramento que é acompanhado por multidões de fiéis em cada cidade brasileira, principalmente as cidades históricas.
A tradição da confecção do tapete surgiu em Portugal e veio para o Brasil com os colonizadores.  O fato de enfeitar as ruas começou pela cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. A procissão percorre as principais vias públicas, seguindo recomendação do Código de Direito Canônico que determina ao Bispo Diocesano que tome as providências para que ocorra toda a celebração, visando testemunhar a adoração e veneração para com a Santíssima Eucaristia.
A procissão de Corpus Christi tem como intuito vivenciar a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino, foi alimentado com o maná no deserto. No Novo Testamento, com a instituição da Eucaristia, o povo é alimentado com próprio “Corpo de Cristo”.
Em Sergipe, na cidade histórica de São Cristóvão, pessoas de todas as idades acordam cedo neste dia para confeccionar os tradicionais tapetes para a procissão. Os tapetes são feitos nas principais ruas do centro histórico da cidade.
São Cristovão, quarta cidade mais antiga do país, fundada 01 de janeiro de 1590, possui complexos arquitetônicos belíssimos, um deles é a Praça São Francisco, chancelada em 01 de agosto de 2010 com o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
 A antiga Subsecretaria de Estado do Patrimônio Histórico e Cultural (SUBPAC), há cinco anos, apoiou a confecção dos tapetes, que envolve este ano, de acordo com uma das organizadoras Vânia Correa, nove ruas (Tobias Barreto, Largo da Matriz, Praça da Matriz, Praça do Carmo, Messias Prado, Prof. Leão Magno, Praça São Francisco e Ivo do Prado) do centro histórico, num percurso de 1200 metros.
A SUBPAC tinha como objetivo manter e preservar as tradições culturais de Sergipe, como também elaboração e execução de programas e projetos, no caso do Tapete de Corpus Christi, na articulação de aquisição dos materiais para a sua realização. Este ano, a organização conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura.
Os materiais utilizados para a confecção artística são: Pó de Xadrez, adquirido em Aracaju, nas cores: vermelho, verde, azul, amarelo e marrom; Sal Grosso, comprado de uma das Salinas do município de Nossa Senhora do Socorro; Tinta Alenina, nas cores: vermelho, verde bandeira, vinho, roxo, azul marinho e preto (as aleninas são adquiridas no Rio Grande do Sul desde 2005); além da matéria prima vinda da Fábrica Marata, sendo que essa é a primeira vez que está sendo utilizada.
Segundo Vânia Correa, em 2015, é a primeira vez que está sendo realizado um trabalho nas escolas de São Cristóvão, com o sentido de difundir e estimular os estudantes a se envolverem com essa ação religiosa que faz parte do calendário oficial brasileiro. O evento será realizado no dia 04 de junho, (quinta-feira), a partir das 15 horas, com a Missa Solene, em seguida procissão acompanhada pela banda do Corpo de Bombeiros.
É de fundamental importância a divulgação e promoção dessa manifestação, objetivando cada vez mais atrair visitantes para o Centro Histórico da Cidade e manter o espírito de cooperação e união dos fies, sobretudo, pela organização do evento, por meio da preparação e produção do tradicional tapete, integrando a comunidade religiosa nas igrejas, em conjunto com a comunidade envolvida. Faz-se necessário também, levar o conhecimento e a prática da produção artística, à jovens e adultos para que a tradição perpetue. Muitas famílias se unem a fim de dar continuidade às tradições de embelezar as casas e as ruas para a passagem da procissão. E preciso salvaguardar essa continuidade histórica para que as gerações vindouras entendam o sentido e a importância de se preservar essa tradição.

Aracaju, 28 de maio de 2015.

Marcos Paulo Carvalho Lima
Licenciado em História pela UFS
Especialização em Ensino para a Igualdade
nas Relações-Étnico-Raciais/FSLF

Pesquisador

O Ciclo da Semana Santa em São Cristóvão/Se

O Ciclo da Semana Santa em São Cristóvão/Se

Jornal Correio de Sergipe, CSCultura, Correio de Sergipe, 31 de março de 2015.

Após o Carnaval vem um período dedicado ao cristianismo, a Quaresma. Um momento muito especial para os cristãos. A Quaresma inicia na Quarta-Feira de Cinzas e vai até o Sábado de Aleluia, é um momento de preparação simbólica para a ressurreição de Cristo. Em São Cristóvão durante esse período, acontece a Festa Nosso Senhor dos Passos ou a Procissão, como está na propositura para o Registro como Bem Imaterial do Patrimônio Cultural Sergipano.
 O Ciclo da Semana Santa inicia com o Domingo de Ramos, que simboliza a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. A história nos conta que ele foi saudado pelo povo com Ramos de Oliveira. Em São Cristóvão, as pessoas levam mais Palmeiras. A são cristovense e devota da religião católica, Denize Santiago, nos explica que o fato das pessoas levarem Palmeiras se dá pelas condições ambientais favorecidas aqui no Brasil, um país tropical.
De acordo com a programação desse ano, no dia 29 ocorre as 07hs, a Benção de Ramos na Igreja do Amparo(sendo que a cada ano pode mudar de igreja), segue em procissão até a Matriz onde ocorre a Missa de Ramos. Para ver a programação completa da Semana Santa em São Cristóvão, ano 2015, acesse o site da Paróquia Nossa Senhora da Vitória-São Cristóvão. Para maiores informações, procurem também a Pascom na cidade.
Durante a Semana Santa em São Cristóvão, as manifestações podem ser consideradas complementares a Festa Nosso Senhor dos Passos, como: a Procissão do Fogaréu que ocorre na quinta-feira a noite e a Liturgia da Paixão e Morte do Senhor que ocorre na Igreja Matriz, a partir das quinze horas, na Sexta-Feira Santa, em seguida acontece a procissão silenciosa em direção a Praça do Carmo onde ocorre o Sermão das Sete Palavras, prosseguindo do Canto da Verônica, outro momento esperado pelos fies repetindo o que ocorre na Procissão do Encontro realizada na Festa de Nosso Senhor dos Passos. Como também nesse mesmo momento, enquanto a Verônica canta, é realizada a descida da Imagem de Cristo da Cruz. Em 2015, após treze anos, teremos uma nova Verônica. Ao termino do Canto, vem a Procissão do Senhor Morto, em retorno a Igreja Matriz.
Concernente a Quinta-Feira Santa, as 19hs ocorre a Missa Santa Ceia do Senhor na Igreja Nossa Senhora da Vitória(matriz), depois vem o Rito do Lava Pés. São 12 homens escolhidos pelo pároco e/ou comunidade. Esses homens representam simbolicamente os Apóstolos de Cristo. Após a missa acontece a Transladação do “corpo de Cristo” ( hóstia consagrada), saí do Sacrário dar uma volta pela igreja e vai para um local reservado. Porém, segundo Vânia e Denize, alguns párocos fazem o translado fora da matriz, de uma Igreja para outra, ou de um monumento religioso para outro. Só retornando para a igreja na Seixa Santa. De acordo com Denize, esse ano a Transladação será para a Casa Franciscana, vizinha a Igreja Matriz. Depois as pessoas caminham até a Praça São Francisco, de onde sai a Procissão do Fogaréu.
A Procissão do Fogaréu é um ato que representa a prisão de Jesus, atrai centenas de visitantes e devotos, para relembrar o que foi vivido por Cristo. Homens vestidos de branco, carregam em suas mãos tochas de fogo, lamparinas, velas e matracas e saem pelas ruas escuras do Centro Histórico, encenam a perseguição a Jesus Cristo. Durante o percurso são encenados cinco principais acontecimentos: a entrada de Jesus Cristo a Jerusalém; Oração no Horto das Oliveiras; a Última Ceia, Prisão e a Ressurreição de Cristo. A procissão é um evento cultural-religioso e faz parte do calendário cultural de Sergipe.
 Suspenso em 1963, pelo vigário Frei Fernando, só retorna 15 anos depois sob a liderança do Sr Daniel de Lima Costa, em 1978. No ano passado aconteceu Procissão do Fogaréu, sem as encenações. Porém, esse ano a procissão junto com as referidas encenações está retornando com grande expectativa. Em conversa com o Sr. Daniel, ele comentou sobre o percurso desse ano, a saber: inicia na Praça São Francisco (Patrimônio da humanidade), seguindo pela rua Erundino(rua da Igreja do Rosário); Praça João Firmino dos Reis; 31 de março; São Bento, Messias Prado(rua da Flores; Praça do Carmo(momento onde ocorre  os atos Tentação e a Prisão de Cristo); prossegue pelas ruas Tobias Barreto; praça da Igreja Matriz e termina na rua Frei Santa Cecília, próximo a Praça São Francisco, praticamente encerra de onde começou. A procissão é exclusivamente masculina, mas, em alguns atos existe a participação de mulheres e muitas ficam nas esquinas observando. Normalmente inicia entre as 20:15/20:30 e termina as 22hs. Ao chegar a rua Santa Cecília, apagam-se as tochas e as lamparinas, posteriormente levam todo o material para o pátio do Convento São Francisco, onde ficam guardados esses materiais da procissão.
No sábado, as 09hs têm a Celebração das Sete Dores, em seguida procissão silenciosa com as Imagens de Nossa Senhora das Dores e o Senhor Morto, até a Igreja do Carmo Menor. A noite, as 19:30, acontece a Missa da Vigília Pascal na Igreja Matriz, em seguida procissão com a Imagem de Cristo Ressuscitado.
No domingo da Ressurreição do Senhor ou Páscoa que segundo Denize significa a passagem da vida velha pra a vida nova, a ressurreição, as 06hs horas ocorre a caminhada das mulheres, uma procissão exclusivamente feminina, onde as ela seguem vestidas de branco, simbolizando a paz e representando as santas mulheres que foram levar perfumes para o Senhor, e se tornaram as testemunhas da ressurreição, saindo da Praça São Francisco até a Igreja do Carmo. Durante a referida caminhada ocorrem três paradas para reflexão, momento em que algumas mulheres escolhidas antes do cortejo, podem prestar testemunhos de sua vida religiosa. Chegando a frente à Igreja do Carmo, é saudado com água perfumada ma medida que vão entrando na citada igreja. Em seguida inicia-se a Missa da Páscoa. Após a supracitada missa, termina com o café da manhã.
Assim, se encerra o Ciclo da Semana Santa da cidade de São Cristóvão em Sergipe, um momento muito aguardado pelos cristãos e que faz parte da cultura local, e do Estado, como também, a Semana Santa é parte integrante da história e cultura brasileira.

Aracaju, 29 de março de 2015.
Marcos Paulo Carvalho Lima
Licenciado em História pela UFS
Especialização em Ensino para a
 Igualdade nas Relações Étnico-Raciais/FSLF
Pesquisador

Fontes Consultadas:

Pascom/Paróquia Nossa Senhora da Vitória-São Cristóivão/Se

Entrevistas:

Denize Santiago da Silva
Vânia Correia

Daniel de Lima Costa

segunda-feira, 9 de março de 2015

A Taieira de Laranjeiras, bem cultural reconhecido como patrimônio imaterial sergipano




Os folguedos são festas de caráter popular cuja principal característica é a representação teatral, a dança, os cantos e a música. A maioria dos folguedos possui origem religiosa e raízes culturais dos povos que formaram a nossa cultura (indígenas, africanos e portugueses). No entanto, muitos folguedos com o passar dos anos foram incorporando mudanças culturais e adicionando, às festas, novas coreografias, vestimentas e indumentárias, integrando ao folclore brasileiro. Em quase todo o território brasileiro pode se encontrar folguedos, porém, é no nordeste que se fazem mais presentes.
Para a antropóloga Beatriz Góis Dantas, com relação às expressões artísticas procedentes da cultura dos escravos, encontraram na música e na dança um substituto para as liberdades políticas formais que lhes foram negadas. Como ressalta Paul Gilroy(2001, p.129) “ a arte se tornou a espinha dorsal das culturas políticas dos escravos e de sua história cultural” e até hoje representa um poderoso instrumento no processo de comunicação social dos descendentes africanos com os demais segmentos sociais. A dança ritual das Taieiras, executada no contexto das festas de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, cujo conteúdo cultural aparece associado à devoção dos santos negros.
As culturas expressivas negras-em especial a música e a dança – participaram ativamente de história cultural e política dos africanos e de seus descendentes no Brasil. As manifestações do chamado folclore negro, a exemplo da taieira, congada, maracatu, lambe-sujo, etc, são parte construtiva da nossa memória coletiva, expressões culturais sem as quais dificilmente saberíamos o que fomos e o que nos tornamos como povo e como nação. Na base desses repertórios teatral, cênico e musical, iremos encontrar formas culturais híbridas ricas em simbolismo e significado. (DANTAS, Beatriz, A Taieira de Sergipe).
Os folguedos se apresentam em toda época do ano, porém, após o período junino, inicia-se outro momento que segue até o ciclo natalino, como dizia o folclorista brasileiro, membro fundador da Comissão Nacional do Folclore, Teothônio Vilela Brandão: “Ao apagar das fogueiras juninas, inicia-se o período de ensaios para os vários folguedos natalinos. Em diversas regiões do Estado de Alagoas, aos sábados e domingos, reúnem-se mestres, tocadores, ensaiadores e brincantes para os ensaios desses grupos, geralmente realizados ao lado de bodegas, onde o proprietário consegue recursos para o traje da brincadeira”. (BRANDÃO, Théo, Folguedos Natalinos).
Taieira-folguedo de caráter extremamente religioso, no entanto tem seu lado profano, dada a lascivicidade característica da coreografia de determinadas estrofes das músicas que são cantadas. Taieira é uma corruptela variante das Talheiras, dança em que eram comum o uso de talhas como elemento básico da coreografia e ritual. No Brasil a sua presença teve registro na Bahia a partir do século XVIII. É um folguedo que, pelas análises pode-se afirmar como de origem afro-luso brasileira porque se apóia no elemento aculturativo. O seu objetivo é a louvação, e esses louvores são dirigidos a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito, ou mais precisamente, A Nossa Senhora do Rosário, vencedora de Loponto e igualmente protetora dos escravos. LARANJEIRAS: “um museu a céu aberto”, Banco do Nordeste do Brasil S.A, Fortaleza. 1983.
A Taieira de Laranjeiras surgiu em meados do século XIX, com a avó e a mãe de Dona Bilina, herdeira da tradição religiosa africana Nagô de Ti Herculano, que passa a liderar a taieira por volta de 1902/1903. Dona Bilina faleceu em 27 de setembro de 1974, em seguida a taieira fica sob a liderança de Dona Maria de Lourdes Santos, que veio a falecer em outubro de 2002. Após o falecimento de Dona Lourdes, sua filha Bárbara Cristina dos Santos passa a liderar o grupo, a partir de janeiro de 2003. A Taieira de Laranjeiras é reconhecida como Patrimônio Imaterial Sergipano, através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013.
O grupo é pertencente ao ciclo natalino, sai em cortejo pelas ruas de Laranjeiras, e quando são convidadas a participar de eventos e/ou encontros onde ocorrem manifestações da cultura tradicional. Fazem parte do grupo a Rainha, reminiscência dos antigos reis de Congo, acompanhada dos seus ministros, capacetes e dançarinas, em direção à igreja onde é celebrada a grande Missa de dia de Reis. A coroação da Rainha da Taieira é uma cerimônia que se repete a várias décadas seguindo o mesmo ritual. No final da missa o padre celebrante retira a coroa da imagem de Nossa Senhora do Rosário e coloca na cabeça da Rainha da Taieira. Nesse momento os sinos da igreja tocam, fogos estouram e os grupos folclóricos dançam e cantam louvores para os Santos e para a Rainha da Taieira. É uma manifestação de muitas cores, cantos e danças, uma hibridização do sagrado e do profano bem marcante da cultura afro-brasileira, como também, manifestada no catolicismo popular nordestino. Caracterizado pelo seu cunho estritamente ritualista, colocando acima de simples manifestação figurativa e teor místico dos cultos afros. A sua coreografia é de uma simplicidade singular e, acrescido do colorido das vestes e adereços dos participantes.
Atualmente compõem a Taieira de Laranjeiras: Taieiras/dançarinas 23, Guias 02, Rainhas 02, Lacraias, 02, Rei 01, Ministro 01, Capacete 02, Patrão 01, totalizando 34 componentes. Há uma variação no número de participantes, isso depende do dia e momento da apresentação. A cada ano pode mudar a quantidade de componentes do grupo. Normalmente as crianças ingressam no grupo com 03 anos de idade e a faixa etária vai até os 80 anos.
O dia 06 de janeiro tem sido sempre salientado no calendário da cidade de Laranjeiras, aí celebra a festa de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, cultuada pelas pessoas mais devotadas e sensíveis aos rituais e tradição. A comemoração contém um caráter acentuadamente popular, evidenciando o festejo da Taieira, cujo feitio peculiar, revela a presença de uma continuidade cultural. (DANTAS, Beatriz Góis).
Para Dantas, a temática das cantigas da Taieira é bastante rica prendendo-se ora a motivos profanos, ora a motivos religiosos refletindo os anseios e situações sociais do passado e do presente, através dos cantos. A coordenadora e organizadora da Taieira de Laranjeiras é Dona Cisa(Maria do Espírito Santo), tutora de Bárbara e responsável por cuidar do material, tem a função de confeccionar as indumentárias, adereços, entre outros materiais que compõe a parte tangível do bem cultural.
Como disse um dos maiores pesquisadores e folclorista que Sergipe já teve e tem a Honra de fazer parte de sua história, Luiz Antônio Barreto, O folclore sergipano, não perdeu, de modo algum, a sua importância como livro pioneiro, na sistemática da cultura popular, seguindo trilhas abertas por Sílvio Romero, a partir da década de 70 do século XIX, João Ribeiro, a partir do curso ministrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1913, Clodomir Silva, como o clássico Minha Gente, de 1922. Paulo de Carvalho-Neto, cuja biografia de antropólogo está repleto de livros, antigos comentários em diversos países da América Latina, nos Estados Unidos e no Brasil, ocupa lugar destacado também em sua terra natal, pelo valioso livro que dedicou ao folclore de Sergipe. Incluo nesse hall de renomados estudiosos, o historiador e folclorista José Calazans, a professora Aglaé D’Ávila Fontes e a professora Beatriz Góis Dantas, pelas diversas obras, publicações e textos dedicados até os dias atuais, a história e a cultura sergipana.
A Taieira de Laranjeiras é um bem cultural que o Estado de Sergipe reconhece através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013, encontra-se em processo de estudos pelo órgão que cuida do patrimônio histórico e cultural de Sergipe, visando à inscrição num Livro de Registro como Formas de Expressão, após a elaboração e publicação de um Decreto que cria os supracitados Livros de Registro e o Programa Estadual de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial. A Taieira fica localizada na praça onde ficam as ruas da Cacimba e Alegria. O Bem cultural não tem nenhuma fonte de renda voltada a preservação do grupo folclórico. É importante a criação de mecanismos que vise à manutenção do grupo. Não é fácil manter um grupo folclórico! É necessário que os poderes públicos e privados olhem mais para esses grupos, pois, eles salvaguardam parte de nossa história e memória. 


Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador
Licenciado em História/UFS
Especialização em Ensino para a
Igualdade nas Relações Étnico-Raciais/FSLF

Fontes Consultadas:
BRANDÃO, Théo.  Folguedos Natalinos de Alagoas. Imprensa Oficial de Alagoas,
Maceió, 1961.
DANTAS, Beatriz Góis, A Taieira de Sergipe: uma dança folclórica. 2ª edição. Editora UFS. São Cristóvão/SE, 2013.
NETO, Paulo de Carvalho. Folclore Sergipano, 2ª edição em língua portuguesa. Sociedade Editorial de Sergipe.
_______LARANJEIRAS: “um museu a céu aberto”, Banco do Nordeste do Brasil S.A, Fortaleza. 1983.
_______Sua Pesquisa.com-Folguedos o que são folguedos folclóricos, natalinos, festas populares.

quarta-feira, 4 de março de 2015

FESTA NOSSO SENHOR DOS PASSOS DE SÃO CRISTÓVÃO/SE: Aprovada pelo Conselho Estadual de Cultura como Patrimônio Imaterial Sergipano

http://www.jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=15033

Tão logo os carmelitas aportaram em Sergipe d’El Rey, em 1618, já trataram de construir um rico complexo arquitetônico, que compreende Convento, Igreja e Sede da Ordem Terceira. Atualmente a Igreja da Ordem Terceira do Carmo(ou Carmo Menor), é denominada da Igreja Senhor dos Passos, e dela parte de uma das maiores e mais tradicionais festividades religiosas de Sergipe: a Festa Nosso Senhor dos Passos. A Igreja Nossa Senhora do Carmo (Carmo Maior) abriga várias imagens de rara beleza e inestimável valor cultural e retrata fielmente o barroco brasileiro dos séculos XVII e XVIII. (São Cristóvão. Berço de Sergipe, Guia de Visitação).

No Conjunto do Carmo há dois espaços: O Museu/ou Memorial de Ex-Votos e o Memorial da Irmã Dulce, que abriga um acervo referente a sua passagem por Sergipe, historicamente, são colocadas oferendas em agradecimento as graças alcançadas.
Além de turistas oriundos dos diversos estados e de municípios sergipano, a tradicional festa Nosso Senhor dos Passos reúne romeiros e devotos para agradecer as graças alcançadas e realizar promessas. Os romeiros descem e sobem as ladeiras do município de São Cristóvão cantando e rezando.
Antes do fim de semana que ocorre a Festa, acontecem os três primeiros Ofícios, sempre nas sextas-feiras. O quarto Ofício é chamado de: Ofício da Festa. Prosseguindo, são realizados os três últimos Ofícios, totalizando os Sete Ofícios de Nosso Senhor dos Passos. Em outro momento, focarei mais sobre os Ofícios de Passos e a Verônica. Recomendo leitura dos trabalhos de: Magno Francisco e Ivan Rêgo, alguns se encontram nas fontes consultadas.
As Procissões de Senhor dos Passos são realizadas nos segundos sábado e domingo após a realização do carnaval. Na sexta á noite os fiéis rezam o Ofício da Paixão de Jesus Cristo, em seguida a missa, após, acontece o momento que vem ocorrendo nos últimos anos, o Ensaio para a peregrinação do sábado. No sábado ocorre à primeira procissão, após a Missa Campal realizada a noite na Praça do Carmo, em seguida os romeiros cantam e caminham pela cidade, seguindo roteiro, os sete primeiros passos da Paixão, que são realizados em locais definidos, seguindo tradição, onde são erguidos pequenos altares com uma tela representando a passo a ser cantado pelos cantadores. Os fiéis carregam velas acesas, muitos dos ex-votos são deixados na Igreja noite do sábado e às vezes na sexta. Como havia dito anteriormente, o cortejo sai da Igreja do Carmo, cantores, músicos e promesseiros, seguindo a imagem de Senhor dos Passos. No final da caminhada pelas ruas de São Cristóvão, conforme escrito acima vão até a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória, de onde sairá somente no domingo à tarde. A Romaria segue em silêncio, grande parte dos promesseiros vestem túnica roxa. Saem acompanhando a imagem de Senhor dos Passos. A procissão diurna, chamada Procissão do Encontro, realizada na tarde do domingo tem dois cortejos: Um acompanha o Senhor dos Passos da Igreja Matriz em direção a Praça São Francisco onde ocorre o referido Encontro, são cantados três passos neste percurso, em todos os anos as ruas são as mesmas, porém, muda o local/residência onde para a Romaria, em 2015: 1º Passo, beco da Poesia(casa de Dona Marita); 2 º Passo, na rua Frei Santa Cecília, (casa de Dona Gilza), os Passos são parados em frente as residências, 3º Passo, Praça são Francisco, de onde prosseguem a romaria. O outro cortejo sai da igreja do Carmo acompanhando a imagem de Nossa Senhora em direção à mesma praça. Um sermão é realizado no momento do encontro das imagens, logo após ouve-se o canto da Verônica, o momento mais aguardado pelos romeiros. Os promesseiros atiram suas vestes penitenciais em direção às imagens.
De acordo com o pesquisador Ivan Rego, a referida festa é destinada à renovação de votos em favor do Senhor dos Passos, um dos mistérios da Paixão. São dois dias de celebração onde o Martírio de Cristo e a Dor de Sua Mãe ao presenciá-lo a caminho da Crucificação, são relembrados por milhares partícipes que chegam de várias partes do estado e do Brasil. Os devotos, fiéis, promesseiros, penitentes, turistas e observadores dão a solenidade são cristovense o tom de festa polissêmica e multifuncional onde o destaque fica tanto praças, ações penitenciais públicas relacionadas ao ideal de imitação de um Cristo que sofreu, como para as ações de desobriga. Esses atos de fé e religiosidade em São Cristóvão atestam a eficiência do compromisso entre devoto e o Senhor dos Passos. (ARAGÃO, Ivan. Festa, Memória e Turismo Cultural-religioso)
As festas com base no caráter sagrado ou profano são acontecimentos tradicionais, que deslocam grande contingente de pessoas em busca de conforto espiritual, equilíbrio psicológico, fuga do cotidiano, lazer e enriquecimento cultural. Embora em mais de cinco séculos de presença portuguesa no Brasil, as festas profissionais de origem ibérica tenham se ressignificado, as mesmas são “uma das mais antigas manifestações da vida social no Brasil. Elas diferem umas das outras conforme a época e a sociedade, mas, invariavelmente, representam os valores, reforçam as estruturas sociais e ajudam a construir a identidade de um grupo. ( REGO, Ivan [...]”, apud Ferreira, 2009, p. 11).
Ainda no artigo de Ivan, as celebrações sagradas dão instrumentação para identificar nesses eventos uma vivência do religioso incorporado ao cultural, possibilitando, muitas vezes, a recuperação da própria identidade (Martins & Leite, 2006). No país, ainda predomina o catolicismo como religião em destaque, nesse contexto, ao longo do ano as festas de padroeiros e santos fazem parte do dia a dia das pessoas. Iniciando em janeiro, com as comemorações dos Santos Reis; em abril, a Semana Santa; passando por datas festivas como Corpus Christi e festas do ciclo junino, em junho; e finalizando com o Natal, em dezembro; há ainda as homenagens aos santos e padroeiros, no calendário litúrgico anual. Santos e Nunes (2005), refletem que:

As festas constituem um dos principais momentos do catolicismo popular. É difícil imaginar o cotidiano de uma pequena cidade brasileira sem as agitações das novenas, santas missões, acompanhamentos e procissões. Essas são algumas expressões de religiosidade que acabam por se tornar um grande instrumento para se compreender a sociedade na qual estão inseridas (p. 98). (IBID)    

O pesquisador Magno Francisco, que se dedica há anos estudos sobre religiosidade, nos diz que: “A romaria do Senhor dos Passos também é o lócus dos sentidos. Para sentir o tempo de penitência dos Passos podemos fechar os olhos e ouvir o dobrar dos sinos, os motetos dos sete Passos, o lastimoso canto da Verônica ou os benditos dos pedintes. Podemos sentir os cheiros que rondam a cidade, com os cabelos queimados pelas velas na Procissão do Depósito, com o manjericão exposto nos andores. O paladar também é inconfundível com as famosas queijadas e briceletes vendidos nas ruas e ladeiras da cidade. O calor humano transcende o espaço da igreja, sentido no aperto entre os devotos transportando os andores do Senhor dos Passos e da Virgem da Soledade pelas ruas estreitas. Podemos finalmente abrir os olhos e ver o colorido dos parques de diversões na cidade baixa, o roxo nas sacadas dos casarões, das igrejas e dos corpos dos romeiros, sem esquecer do que os devotos fazem questão de destacar: a beleza dos "olhos vivos dos Senhor dos Passos".
Com relação à guarda da imagem, de acordo com o historiador Thiago Fragata, conforme reza e tradição, a imagem de Senhor dos Passos e a organização do ato processional ficava aos encargos dos leigos da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, transformada em Associação em 1977. No passado, São Cristóvão foi centro político e religioso da Capitania Del Rey. Assim, segundo Fragata, esse antigo centro de convergência religiosa preserva manifestações culturais do período colonial, como a Procissão de Senhor dos Passos.
Para ele, não é possível datar com exatidão o início da maior Romaria de Sergipe, os indícios acenam que tudo iniciou no final do século XVIII ou início do XIX. Com base em Serafim Santiago, Fragata diz: “consta que a imagem articulada, chamada de roca, em razão das características constitutiva e mobilidade, foi encontrada no rio Paramopama, afluente do Vaza Barris.
No ano de 2010, o Arcebispo José Palmeira Lessa, através de Decreto, oriundo da Arquidiocese de Aracaju, determina: 1 – A Festa Senhor dos Passos da Cidade de São Cristóvão será sempre da responsabilidade e coordenação do sacerdote que tenha a cura pastoral da Paróquia de Nossa Senhora da Vitória; 2 – A antiga e venerável imagem do Senhor dos Passos, conservada no templo chamado Carmo Menor, bem como todo o acervo aí presente, é de responsabilidade de quem ocupa o Convento do Carmo, atualmente os frades da Ordem Carmelita; 3 – Em se tratando de levar a imagem do Senhor dos Passos em peregrinação, fora da tradicional procissão no Tempo da Quaresma, utilizar-se-á sempre uma réplica, confeccionada para este fim, e nunca a imagem original. (retirado na íntegra).
A Festa Nosso Senhor dos Passos, não somente para os são cristovenses, mas, para os sergipanos, principalmente a comunidade católica, possui um valor histórico e cultural, de cunho tradicional religioso. O pedido de registro foi aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura, Processo nº22/10, de 02 de julho de 2010, assunto: Registro Senhor dos Passos, como bem imaterial do patrimônio cultural sergipano. Autora da propositura: Ana Nascimento Fonseca Medina, a relatora do processo, foi a conselheira Ana Conceição Sobral de Carvalho, segundo a relatora: 
A magnitude e a abrangência do fato cultural preservado até os dias de hoje, pela comunidade devocional, torna relevante o reconhecimento oficial através do registro como bem imaterial do patrimônio cultural sergipano. (SORBRAL, Ana Conceição de carvalho).
            Para Ana Conceição, assim conhecida, aliada ao registro como patrimônio imaterial, é importante elaborar projeto de mapeamento detalhado do conjunto que envolve o ato religioso e está em seus vários aspectos, como rituais de penitencia, objetos devocionais, músicas, cantos, culinária, entre outros fatos que emanam desse universo místico, para efeito de estudo, publicação e difusão.
Do ponto de vista social, as comunidades, os grupos de pessoas que se reúnem à volta de “uma fé”, fazem da educação o ponto de aprendizagem dos fenômenos religiosos da sua relação com o divino na perspectiva que o ser intelectual só é na sua plenitude enquanto produto do espiritual. Esta relação intelectualidade/espiritualidade constitui-se como parte integrante dum patrimônio religioso e ao mesmo tempo sinal de pertença de um lugar. (CAMPOS, Fernando, Educação e Religião: Patrimônio, Pertença e Identidade).

Todavia, este referencial de cultura também alcança vertentes que envolvem o âmbito social e econômico local, sobretudo, os significados que as comunidades e sociedades atribuem à importância daquele bem religioso/cultural, influenciando os vários meios de difusão inerente também ao âmbito do turismo.
O pluralismo cultural e religioso, apreendido nos estudos das sociedades multiculturais é retransmitido através de veículos acadêmicos onde perpassam todo o viés de segmentos religiosos, onde a cultura predominante em certo âmbito geográfico utilizará de seu entendimento com o campo da divindade, seguindo herança, a fim de dar continuidade também aos processos educativos de ensino/aprendizagem e a transmissão da tradição religiosa de geração para geração.


Aracaju, 25 de fevereiro de 2015.

Marcos Paulo Carvalho Lima
Licenciado em História pela UFS
Especialização em Ensino para a
Igualdade nas Relações Étnico Raciais/FSLF
Pesquisador

Fontes Consultadas:

ARAGÃO, Ivan Rego,. Análise do Marketing Religioso na “Segunda Maior Romaria do Nordeste Brasileiro no Período da Quaresma” História Agora: A Revista do Tempo Presente.
ARAGÃO, Ivan  Rego.  Festa, Memória e Turismo Cultural-Religioso: A Procissão ao Nosso Senhor dos Passos, em São Cristóvão-Sergipe.  Revista  Rosa dos Ventos.
SANTOS, Magno Francisco de Jesus, NUNES, Verônica Maria Meneses, Na Trilha dos Passos do Senhor: A Devoção ao Senhor dos Passos de São Cristóvão/SE. Revista da Fapese de Pesquisa e Extensão, v. 2, p. 97-110, jul./dez. 2005
SANTOS, Magno Francisco de Jesus, Os Últimos Passos de uma Devoção: Indícios da religiosidade de um nobre sergipano oitocentista. Historien, Revista de História(3) apr/set de 2010.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Multidisciplinaridade: o patrimônio cultural propicia encontros (Parte 2)


http://www.faxaju.com.br/conteudo.asp?id=194128

        As primeiras políticas oficiais de patrimônio cultural no Brasil iniciaram em 1936 com o anteprojeto proposto por Mário de Andrade, que colaborou com a criação de um órgão federal voltado a proteção desse patrimônio. O primeiro gestor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, (antigo SPHAN), foi Rodrigo Franco Melo de Andrade, para ele: desaparecimento e reconstrução é que movia as narrativas nacionais sobre patrimônio cultural, em sua busca por autenticidade e redenção, se referindo as obras de artes, a arquitetura barroca e católica como referenciais para o processo de patrimonialização. Ele usava sempre a história como disciplina chave.
O historiador Reginaldo Gonçalves em a Retórica da Perda faz um apanhado sobre os primeiros discursos sobre o patrimônio cultural brasileiro. É uma oportunidade de adquirir um entendimento sobre como iniciou efetivamente às políticas voltadas a preservação do patrimônio cultural no país, como por exemplo, o Tombamento.
Dois momentos são fundamentais para implementação de políticas de preservação voltadas ao patrimônio histórico e cultural no Brasil, podemos entender que são dois momentos distintos sobre as narrativas e abordagens acerca do patrimônio cultural. O primeiro inicia-se na década de 30 com Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco de Andrade como mencionado anteriormente, e o segundo momento é o da política implementada por Aloísio Magalhães, no Centro Nacional do Folclore e sua rápida passagem como gestor do IPHAN.
Aloísio Magalhães se refere a bens culturais em observância à pluralidade cultural do país, a cultura popular tradicional e contribuições das comunidades tradicionais remanescentes de sociedades primitivas: as etnias indígenas e africanas, utilizando a antropologia como disciplina referencial.
A década de 1930 foi um período de mudanças no Brasil, naquele momento, educação e cultura estavam circunscritas a um único universo, também na mesma década as primeiras ações legais voltadas para a conservação e valorização do Meio Ambiente. Estes temas estavam representados principalmente pelo Código Florestal instituído através do Decreto nº 23, 793, de 23 de janeiro de 1934 e pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.
Destaco aqui, o interesse na paisagem como um bem patrimonial. De acordo com Rafael Ribeiro, geógrafo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tal interesse se manifestou na criação do Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico. Assim como houve transformação nas práticas de preservação dos demais bens culturais, as formas de compreensão da paisagem e sua valorização também se transformaram ao longo do tempo (Rafael Ribeiro, pg 07). Contemplarei nesse texto, o tema Paisagem como Patrimônio Cultural, utilizo a geografia como linha orientadora base desse trabalho, onde urbanismo, ambiente e o meio ambiente aparecem camufladamente.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN recentemente incorpora o tema paisagem cultural, Luiz Fernando de Almeida, ex-presidente do órgão, nos conta que sua característica fundamental é a ocorrência, em uma fração territorial, do convívio singular entre a natureza, os espaços construídos e ocupados, os modos de produção e as atividades culturais e sociais, numa relação complementar entre si, capaz de estabelecer uma identidade que não possa ser conferida por qualquer um deles isoladamente. Com a adoção de categoria integradora de paisagem cultural o IPHAN responde à crescente complexidade da sociedade contemporânea, que exige um conjunto maior de instrumentos urbanísticos, ambientais e jurídicos de proteção do patrimônio e aponta a possibilidade de se viabilizar um trabalho de gestão do território pactuado entre os diversos agentes da esfera pública e privada. (paisagem e patrimônio cultural, pg 07).
            Para Ribeiro, a vinculação entre paisagem e patrimônio cultural não é recente, mas vem ganhando especial destaque, nas últimas décadas, em determinadas áreas, através de noção de paisagem cultural. No entanto, a pequena participação de geógrafos dentro das instituições de preservação do patrimônio cultural no país fez com que a vasta contribuição da geografia neste campo tenha permanecido conhecida apenas por alguns iniciados. Por esta razão, é importante discutir como a paisagem se transformou mais de um conceito-chave para algumas correntes da geografia e como a discussão de mais de um século sobre o tema pode ser importante para o desenvolvimento de novas reflexões sobre as estratégias de atribuição de valor de uma paisagem. (IBID). Para maior compreensão, recomendo leitura da obra Paisagem e Patrimônio Cultural, citada nas fontes consultadas.
De acordo com o geógrafo Milton Santos: É por demais sabido que a principal forma de relação entre o homem e a natureza, ou melhor, entre o homem e o meio, é dada pela técnica. As técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais, com os quais o homem realiza sua vida, produz e, ao mesmo tempo, cria espaço. Essa forma de ver a técnica não é, todavia, completamente explorada. (Santos, pg 16).
Santos nos conta que historiadores da ciência e especialistas da técnica, como é o caso de B. Joerges (1988, p. 16), lamentam o fato de que nos estudos históricos a realidade dos sistemas técnicos apareça como um dado entre aspas, faltando a conceptualização. Para ele, essa crítica, aliás, não é recente. M. Mauss, um dos principais seguidores de Durkheim, lembrava, num dos seus textos da revista UHomme Sociologique, que a sociologia de Durkheim não havia atribuído a importância devida ao fenômeno técnico. Essa crítica é compartida por Armand Cuvillier (1973, p. 189), ao se referir a três grupos de estudiosos que "tomaram consciência" da importância da técnica: a) pré-historiadores e arqueólogos; b) etnógrafos (que escrevem a história dos povos "sem história") e c) tecnólogos propriamente ditos. Mauss (1947, p. 19), aliás, havia proposto a criação de um saber - a Tecnomorfologia - que se ocuparia do conjunto das relações entre as técnicas e o solo e entre o solo e as técnicas, dizendo que "em função das técnicas é que observaremos a base geográfica da vida social: o mar, a montanha, o rio, a laguna". (Santos, pg 17)
Tomando um aspecto concreto da análise geográfica, Pierre George (1974, p. 82) distingue a cidade atual da cidade anterior, lembrando que esta, na metade do século XIX, seria um produto cultural. Hoje, a cidade "está a caminho de se tornar muito rapidamente, no mundo inteiro, um produto técnico". E acrescenta: "a cultura era nacional ou regional, a técnica é universal".
Outro geógrafo que se deteve longamente sobre a questão da técnica foi Pierre Gourou (1973), para quem "o homem, esse fazedor de paisagens, somente existe porque ele é membro de um grupo que em si mesmo é um tecido de técnicas". Os fatos humanos do espaço teriam de ser examinados em função de um conjunto de técnicas. Ele divide as técnicas em dois grandes grupos: técnicas da produção e técnicas de enquadramento. (IBID).
Em Sergipe tem a Fonte dos Caboclos no município de Cristinápolis, tombado pelo Governo do Estado, de interesse paisagístico, histórico, cultural e arqueológico que precisa ser mais explorada no que se refere à pesquisa e implementar ações que visem a preservação do bem.
(...A geografia baseia-se, na realidade, na união dos elementos físicos e culturais da paisagem. O conteúdo da paisagem é encontrado, por tanto, nas qualidades físicas da área que são importantes para o homem e nas formas do uso da área, em fatos de base física e fatos da cultura humana... RIBEIRO, Rafael apud Carl Sauer, 1996 [1925]).
          Dessa forma, entendemos que a Fonte dos Caboclos precisa ser rediscutida no tocante a salvaguarda do monumento e conservação ambiental, para que o seu uso, ou seja, o seu ambiente seja utilizado de forma sustentável, para que as futuras gerações possam desfrutar o bem cultural.
A cada ano crescem as demandas referentes ao patrimônio cultural, é importante que os órgãos estaduais de patrimônio formem equipes multidisciplinares focando a interdisciplinaridade, a intersetorialidade, articulando com os órgãos federais, estaduais e os municipais.
Assim, o patrimônio cultural reúne diversos campos do conhecimento científico e do saber comum das pessoas, colaborando para o desenvolvimento local, regional, de um país e do mundo.
                                              
Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador
Licenciado em História/UFS
Especialização em Ensino para a
Igualdade nas Relações Étnico-Raciais/FSLF


Fontes Consultadas:

GONÇALVES, José Reginaldo, A Retórica de Perda: primeiras discussões sobre o patrimônio cultural brasileiro. MINC/IPHAN. 2005.
RIBEIRO, Rafael Winter, Paisagem e Patrimônio Cultural. Pesquisa e Documentação do IPHAN/MINC. Rio de Janeiro, 2007.
SANTOS, Milton, 1926-2001. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção / Milton Santos. - 4. ed. 2. reimpr. - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006. - (Coleção Milton Santos; 1).
_______ Patrimônio: Práticas e Reflexões. Metodologia de Pesquisa e Multidisciplinaridade no IPHAN. Rio de Janeiro, Copedoc/DAF/IPHAN, 2010.