http://www.passeiaki.com/noticias/carnis-levale-carna-vale-divindade-para-manifestacoes-artisticas-culturais-ensaio-trabalho
Apesar do carnaval brasileiro a exemplo
de Salvador e Rio de Janeiro ser considerada a maior festa popular mundial,
tornando um dos eventos mais difusores das culturas nacional, a história sobre
essas festividades remontam à antiguidade.
Originária do latim, carnis levale, cujo
significado é “retirar a carne”, conforme pesquisa realizada, o significado
está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e
também com o controle dos prazeres mundano. Sobretudo, isso demonstra uma
tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.
Duas festas antigas ligam o carnaval
como caráter de subversão de papéis sociais, exemplo: na Babilônia era uma
festa que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, chamada
de As Saceias, vestiam-se como o rei alimentando-se da mesma forma e dormindo
com suas esposas. Segundo informações adquiridas através de pesquisas, ao final
o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado. O outro rito, era
realizado pelos reis nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período
de comemoração do ano na região. Era uma humilhação onde o rei pedia seus emblemas
do poder ao templo Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos. Tal
humilhação servia para demonstrar a submissão do rei a divindade. Havia festas
marcadas por orgias embriaguez e entrega aos prazeres da carne. ( www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm)
A partir do século VIII, com a criação
da quaresma a Igreja Católica buscou então adaptar e/ou enquadrar tais
comemorações. Dessa forma, a igreja pretendia manter um período para as pessoas
cometerem seus excessos, antes do período de rispidez religiosa. O carnaval é celebrado quarenta dias antes da Páscoa, desde o
século XI. Este período é chamado pela Igreja Católica de Quaresma, que
preserva quarenta dias de jejum, com abstinência de carne.
No Renascimento, cidades européias como
as italianas, vestimentas e máscaras marcavam uma nova época concernentes as
festas populares dessa natureza.
No Brasil, os estudos mostram que o
carnaval chegou em meados do século XVII, sob influências das festas carnavalescas
que ocorriam na Europa. Certos personagens tem origem européia, porém, foram
incorporados caracteres referentes ao modo brasileiro.
A partir do século XX, os primeiros
blocos carnavalescos brasileiro aconteciam com destacados cortejos de automóveis
decorados, identificando a manifestação artística e cultural. No decorrer do
século houve um crescimento, principalmente com o surgimento das marchinhas,
que animavam ainda mais o povo. A primeira escola de samba criada foi no final
da década de vinte no Rio de Janeiro. Iniciou com a “Deixa Falar”, chamada
posteriormente de Estácio de Sá. Como no Rio, em São Paulo o carnaval ascendeu
mais com o surgimento de escolas de samba, onde em seguida se escolhia a Escola
mais bonita e animada.
Para Juliana Ribeiro, ao se falar de
samba é bom deixar claro que não estamos falando de gênero musical, mas sim de
manifestação cultural[1].
Em 1933 foi feito o primeiro desfile oficial
de escola de samba na Praça XI, o evento então passou a ser anual. Negro na essência
foram necessários trinta anos após seu surgimento no Rio de Janeiro para o
samba ganhar notoriedade mundo a fora e virá paixão nacional. Justamente cerca de
quarenta anos depois das primeiras músicas criadas para os desfiles carioca que
os sambas enredo começaram a abordar a cultura africana e exaltar os
personagens negros no Brasil.[2]
O jornalista, pesquisador e compositor
da música popular brasileira Sérgio Cabral lembra que ate o fim da década de cinqüenta
os sambas tinham em seus desfiles personagens da história oficial, a partir dos anos 60 que os enredos ficaram
mais progressistas(Sérgio Cabral).[3]
Segundo o compositor, radialista e
pesquisador da cultura negra Rubem Confete foi o carnavalesco Fernando Pompona
o grande responsável por dar dignidade a história do negro brasileiro por meio
de uma série de enredos, foi no carnaval de 1960 que Pompona fez de Zumbi dos
Palmares o primeiro personagem não oficial da História do Brasil tema de uma
escola de samba. O enredo que encantou Zumbi, vários sambas exaltaram a cultura
negra, mas segundo o historiador e pesquisador Ricardo Cavaubim o grande
momento da negritude viria em 1988 com o desfile da Vila Izabel também em
homenagem a Zumbi dos Palmares. Temas como apartheid, abolição da escravatura,
as expressões do candomblé e os rituais da cultura negra são citados no samba.[4]
Atualmente as músicas dos sambas de
carnaval não está mais no cotidiano popular do carioca como antigamente, com
isso, voltam com grande força os blocos de ruas do Rio de Janeiro.
Já na região nordeste eram apresentados
grupos tradicionais com peculiaridades de cada local, originais do carnaval de
rua como em Pernambuco, mais precisamente em Recife e Olinda. Em Pernambuco os
bonecos gingantes são marcas de referência local, animando os foliões, tendo o
Galo da Madrugada como grande atração.
Na Bahia temos um dos mais animados
carnaval do Brasil e do mundo, mais especificamente na capital Salvador. O
valor histórico e a importância sociocultural na Bahia é a luta das entidades
de Matriz Africana, reconhecida pela preservação da herança da cultura afro no
carnaval de Salvador, citado pelo SEBRAE Bahia, e sem dúvida apoiada pela
sociedade baiana e soteropolitana. O Ilê
Aiyê é o mais antigo bloco afro de Salvador.
“O Carnaval, para nós,
era importante. Era algo que assumíamos com um aspecto tradicional muito forte.
Por conseguinte, os cantares do carnaval animaram-nos informaram-nos e
educaram-nos”(apud Carnaval Ouro Negro,
2011, 3ª Edição; Bonga, músico angolano).
[5]Entre
diversas referências estéticas do mundo negro, o carnaval é talvez um dos mais
importantes ícones da criatividade cultural do Ocidente. Os carnavais
atlânticos mostram a extraordinária riqueza deflagrada pela diáspora africana e
o vigor de sua produção cultural.
No ano de 2010, quando o desfile dos
afoxés, os chamados “Candomblés de Rua”, foi considerada como Patrimônio
Imaterial da Bahia, também foi uma data marcante na história do carnaval da
cidade de Feira de Santana.
Umas das maiores lutas do blocos afros,
é levar a sua cultura para avenida nos desfiles de carnaval e então acabar com
os mitos que envolvem a religião de matriz africana. Por exemplo, o Afoxé Pomba
de Malê é uma homenagem à senhora Ernestina Carneiro, mas conhecida como Dona
Pomba, e a revolta dos Malês. O bloco foi fundado com o intuito de preservar a cultura
musical local, principalmente o Ijexá.
Elementos da cultura indígena também se
fazem presente nos carnavais do país, temos como exemplo: o Apache do Tororó,
que é o mais antigo bloco brasileiro de inspiração indígena do carnaval de
Salvador. O bloco foi inspirado especificamente nas tribos indígenas dos filmes
americanos “ Os Apaxes do Tororó”. O bloco sai as ruas com o objetivo de
manifestar a histórica exploração sofrida pelos povos indígenas e negros.
No caso de Sergipe, o município de
Estância, ocorrem desfiles de blocos carnavalescos, Escolas de Samba, concurso
de marchinha de carnaval e shows com bandas de frevo. Outra cidade histórica cheia de alegria durante o
período carnavalesco e muito contagiante, ao som do Frevo, é Neópolis, que atrai
milhares de foliões durante período carnavalesco, fazendo o município ser considerado
hoje como a Capital Sergipana do Frevo.
Aracaju, por exemplo, segundo pesquisadores,
existem registros sobre o carnaval em nosso estado, desde o final do século
XIX, quando ocorreu o desfile dos primeiros clubes carnavalescos da cidade.
Os blocos estão presentes no carnaval
aracajuano desde o início da década de 20, onde em cada bairro da cidade, era
possível encontrarmos a presença de pequenos grupos que organizavam seus blocos
de rua para brincar o carnaval.
Atualmente a cidade conta com um pouco
mais de 250 blocos e escolas de samba que estão organizados através de
representações, como: a Liga Oficial Sergipana do Carnaval, Associação de Blocos
Carnavalescos e Federação de Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba que ao meu
perceber e entender dificulta as relações, cria intrigas e divergências entre
os lideres de cada entidade e grupos, fazendo com que a organização num
contexto geral, no sentido harmônico da coisa, entre as partes envolvidas com o
brincar, se torne praticamente impossível, o que promove conflitos que vão além
dos interesses coletivos.
Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador
FONTES
CONSULTADAS:
______Documento
para o Plano Municipal de Cultura de Aracaju, Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba. Aracaju, 2012.
_____ Secretaria de Cultura do Estado da
Bahia, Carnaval Ouro, Secretaria de Promoção da Igualdade, Negro,
2011, 3ª Edição
______Secretaria
de Promoção da Igualdade, Carnaval no
Feminino, Salvador/Bahia, 2010.
[1] Juliana Ribeiro é cantora,
compositora, historiadora e pesquisadora musical.
[3] Ibidem
[4] IBID.
[5]
Carnaval Outro Negro, 2011, 3ª Edição, pg 21.