Um município recheado de
história, memória e arte, Laranjeiras foi no século XIX uma das mais
importantes cidades de Sergipe, surgiu com a ocupação do Vale do Cotinguiba,
região marcada pelo grande número de engenhos e o plantio da cana-de-açúcar. A
cidade é considerada através de Lei Federal, Patrimônio Histórico Nacional.
Laranjeiras é uma cidade
acolhedora, reúne estudiosos e pesquisadores oriundos de outros municípios
sergipanos, como também, de outros lugares do país, sendo que grande parte
desses visitantes são da região nordeste e pessoas vindas de outros países, atraídos
especialmente para o tradicional Encontro Cultural, que desde o início em 1976
aborda vários temas ligados a valorização e preservação da cultura popular, do
folclore e dos folguedos, (dos bens intangíveis). O evento conta com palestras
e debates, e, promove apresentações de grupos ligados ao folclore
sergipano.
Ao longo desses 39
encontros, vários temas foram abordados, como: Linguagem Popular, Culinária,
Artesanato Brasileiro, Folclore Infantil, Cultura afro-brasileira, entre outras
temáticas que foram debatidas no decorrer desses anos. Em 2014, o evento teve como tema central; Cultura Popular: Preservação e
Sustentabilidade.
De acordo com Virgínio de
Carvalho Neto[1],
Laranjeiras é cenário perfeito para discutir a nossa cultura: a composição da
cidade, o sobe e desce de suas ruas, a arquitetura dos casarios, nos
transportando para um passado presente. Um marco de resistência. Citamos como
exemplo: a Igreja Matriz do Coração de Jesus, monumento histórico construído em
estilo barroco, sendo a primeira igreja dedicada ao Coração de Jesus do Estado.
Situada na Praça da Matriz, local onde se originou o
atual núcleo urbano da cidade. A edificação é tombada pelo Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN.
Esse ano de 2014 tivemos novidade, se
apresentaram pela primeira vez no Encontro como Patrimônio Imaterial Sergipano, a
Taieira e o São Gonçalo, ambos de Laranjeiras, reconhecido pelo Poder Público
Estadual através do Decreto Nº 29.558, de 23 de outubro de 2013.
Com toda diversidade
que o evento propicia, tivemos a contribuição
para esse XXXIX Encontro Cultural, o Grupo Renantique, criado há quase duas
décadas sob a direção artística de Emmanuel Vasconcellos Serra.
Através
do Projeto Patrimônio em Concerto, idealizado e coordenando por Sandra Sena, fruto
de uma parceria entre a Subsecretaria de Estado do Patrimônio Histórico e
Cultural e a Sergipe Gás/SA-SERGÁS, o Renantique se apresenta em diversos
espaços de memória do Estado de Sergipe, principalmente em Igrejas.
O principal objetivo desse bem cultural é
difundir um amplo repertório de cânticos da Idade Média e da Renascença.
Durante os intervalos de cada canção, Emmanuel explana seu conhecimento sobre o
período medieval e renascentista com base em seus estudos sobre o tema. Nascido
junto ao Renantique, temos também as apresentações do grupo de dança
Terpsícore, que através de seus passos leves, suaves, sutis e delicadas
expressões faciais, encantam a platéia durante as danças, havendo harmonia
entre as duas apresentações: Música Antiga Renantique e Terpsícore Danças
Antigas.
Assim, é
o Encontro Cultural de Laranjeiras, um local onde se encontram grupos oriundos
da cultura popular tradicional e erudita. Um espaço que difunde essas culturas
e fomenta através de diálogos e debates acerca do universo que engloba o
patrimônio cultural, reunindo pesquisadores de diversos cantos do Brasil e de
outros países.
Aracaju,
09 de janeiro de 2014.
Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador
Valeu, manezinho
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