sexta-feira, 7 de março de 2014

Carnis Levale ou Carna Vale e Divindade, para Manifestações Artísticas e Culturais

http://www.jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=9820

http://www.passeiaki.com/noticias/carnis-levale-carna-vale-divindade-para-manifestacoes-artisticas-culturais-ensaio-trabalho

Apesar do carnaval brasileiro a exemplo de Salvador e Rio de Janeiro ser considerada a maior festa popular mundial, tornando um dos eventos mais difusores das culturas nacional, a história sobre essas festividades remontam à antiguidade.

Originária do latim, carnis levale, cujo significado é “retirar a carne”, conforme pesquisa realizada, o significado está relacionado com o jejum que deveria ser realizado durante a quaresma e também com o controle dos prazeres mundano. Sobretudo, isso demonstra uma tentativa da Igreja Católica de enquadrar uma festa pagã.

Duas festas antigas ligam o carnaval como caráter de subversão de papéis sociais, exemplo: na Babilônia era uma festa que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, chamada de As Saceias, vestiam-se como o rei alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Segundo informações adquiridas através de pesquisas, ao final o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado. O outro rito, era realizado pelos reis nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano na região. Era uma humilhação onde o rei pedia seus emblemas do poder ao templo Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos. Tal humilhação servia para demonstrar a submissão do rei a divindade. Havia festas marcadas por orgias embriaguez e entrega aos prazeres da carne.                                       ( www.brasilescola.com/carnaval/historia-do-carnaval.htm‎)

A partir do século VIII, com a criação da quaresma a Igreja Católica buscou então adaptar e/ou enquadrar tais comemorações. Dessa forma, a igreja pretendia manter um período para as pessoas cometerem seus excessos, antes do período de rispidez religiosa. O carnaval é celebrado quarenta dias antes da Páscoa, desde o século XI. Este período é chamado pela Igreja Católica de Quaresma, que preserva quarenta dias de jejum, com abstinência de carne.
No Renascimento, cidades européias como as italianas, vestimentas e máscaras marcavam uma nova época concernentes as festas populares dessa natureza.
No Brasil, os estudos mostram que o carnaval chegou em meados do século XVII, sob influências das festas carnavalescas que ocorriam na Europa. Certos personagens tem origem européia, porém, foram incorporados caracteres referentes ao modo brasileiro.

A partir do século XX, os primeiros blocos carnavalescos brasileiro aconteciam com destacados cortejos de automóveis decorados, identificando a manifestação artística e cultural. No decorrer do século houve um crescimento, principalmente com o surgimento das marchinhas, que animavam ainda mais o povo. A primeira escola de samba criada foi no final da década de vinte no Rio de Janeiro. Iniciou com a “Deixa Falar”, chamada posteriormente de Estácio de Sá. Como no Rio, em São Paulo o carnaval ascendeu mais com o surgimento de escolas de samba, onde em seguida se escolhia a Escola mais bonita e animada.
Para Juliana Ribeiro, ao se falar de samba é bom deixar claro que não estamos falando de gênero musical, mas sim de manifestação cultural[1].

Em 1933 foi feito o primeiro desfile oficial de escola de samba na Praça XI, o evento então passou a ser anual. Negro na essência foram necessários trinta anos após seu surgimento no Rio de Janeiro para o samba ganhar notoriedade mundo a fora e virá paixão nacional. Justamente cerca de quarenta anos depois das primeiras músicas criadas para os desfiles carioca que os sambas enredo começaram a abordar a cultura africana e exaltar os personagens negros no Brasil.[2] 

O jornalista, pesquisador e compositor da música popular brasileira Sérgio Cabral lembra que ate o fim da década de cinqüenta os sambas tinham em seus desfiles personagens da história oficial, a partir dos anos 60 que os enredos ficaram mais progressistas(Sérgio Cabral).[3]

Segundo o compositor, radialista e pesquisador da cultura negra Rubem Confete foi o carnavalesco Fernando Pompona o grande responsável por dar dignidade a história do negro brasileiro por meio de uma série de enredos, foi no carnaval de 1960 que Pompona fez de Zumbi dos Palmares o primeiro personagem não oficial da História do Brasil tema de uma escola de samba. O enredo que encantou Zumbi, vários sambas exaltaram a cultura negra, mas segundo o historiador e pesquisador Ricardo Cavaubim o grande momento da negritude viria em 1988 com o desfile da Vila Izabel também em homenagem a Zumbi dos Palmares. Temas como apartheid, abolição da escravatura, as expressões do candomblé e os rituais da cultura negra são citados no samba.[4]

Atualmente as músicas dos sambas de carnaval não está mais no cotidiano popular do carioca como antigamente, com isso, voltam com grande força os blocos de ruas do Rio de Janeiro.
Já na região nordeste eram apresentados grupos tradicionais com peculiaridades de cada local, originais do carnaval de rua como em Pernambuco, mais precisamente em Recife e Olinda. Em Pernambuco os bonecos gingantes são marcas de referência local, animando os foliões, tendo o Galo da Madrugada como grande atração.

Na Bahia temos um dos mais animados carnaval do Brasil e do mundo, mais especificamente na capital Salvador. O valor histórico e a importância sociocultural na Bahia é a luta das entidades de Matriz Africana, reconhecida pela preservação da herança da cultura afro no carnaval de Salvador, citado pelo SEBRAE Bahia, e sem dúvida apoiada pela sociedade baiana e soteropolitana. O Ilê Aiyê é o mais antigo bloco afro de Salvador.

“O Carnaval, para nós, era importante. Era algo que assumíamos com um aspecto tradicional muito forte. Por conseguinte, os cantares do carnaval animaram-nos informaram-nos e educaram-nos”(apud Carnaval Ouro Negro, 2011, 3ª Edição; Bonga, músico angolano).

[5]Entre diversas referências estéticas do mundo negro, o carnaval é talvez um dos mais importantes ícones da criatividade cultural do Ocidente. Os carnavais atlânticos mostram a extraordinária riqueza deflagrada pela diáspora africana e o vigor de sua produção cultural.

No ano de 2010, quando o desfile dos afoxés, os chamados “Candomblés de Rua”, foi considerada como Patrimônio Imaterial da Bahia, também foi uma data marcante na história do carnaval da cidade de Feira de Santana.

Umas das maiores lutas do blocos afros, é levar a sua cultura para avenida nos desfiles de carnaval e então acabar com os mitos que envolvem a religião de matriz africana. Por exemplo, o Afoxé Pomba de Malê é uma homenagem à senhora Ernestina Carneiro, mas conhecida como Dona Pomba, e a revolta dos Malês. O bloco foi fundado com o intuito de preservar a cultura musical local, principalmente o Ijexá.

Elementos da cultura indígena também se fazem presente nos carnavais do país, temos como exemplo: o Apache do Tororó, que é o mais antigo bloco brasileiro de inspiração indígena do carnaval de Salvador. O bloco foi inspirado especificamente nas tribos indígenas dos filmes americanos “ Os Apaxes do Tororó”. O bloco sai as ruas com o objetivo de manifestar a histórica exploração sofrida pelos povos indígenas e negros.

No caso de Sergipe, o município de Estância, ocorrem desfiles de blocos carnavalescos, Escolas de Samba, concurso de marchinha de carnaval e shows com bandas de frevo. Outra cidade histórica cheia de alegria durante o período carnavalesco e muito contagiante, ao som do Frevo, é Neópolis, que atrai milhares de foliões durante período carnavalesco, fazendo o município ser considerado hoje como a Capital Sergipana do Frevo.

 Aracaju, por exemplo, segundo pesquisadores, existem registros sobre o carnaval em nosso estado, desde o final do século XIX, quando ocorreu o desfile dos primeiros clubes carnavalescos da cidade.
Os blocos estão presentes no carnaval aracajuano desde o início da década de 20, onde em cada bairro da cidade, era possível encontrarmos a presença de pequenos grupos que organizavam seus blocos de rua para brincar o carnaval.

Atualmente a cidade conta com um pouco mais de 250 blocos e escolas de samba que estão organizados através de representações, como: a Liga Oficial Sergipana do Carnaval, Associação de Blocos Carnavalescos e Federação de Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba que ao meu perceber e entender dificulta as relações, cria intrigas e divergências entre os lideres de cada entidade e grupos, fazendo com que a organização num contexto geral, no sentido harmônico da coisa, entre as partes envolvidas com o brincar, se torne praticamente impossível, o que promove conflitos que vão além dos interesses coletivos.

Marcos Paulo Carvalho Lima
Pesquisador

FONTES CONSULTADAS:


______Documento para o Plano Municipal de Cultura de Aracaju, Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba. Aracaju, 2012.

_____ Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Carnaval Ouro, Secretaria de Promoção da Igualdade, Negro, 2011, 3ª Edição

______Secretaria de Promoção da Igualdade, Carnaval no Feminino, Salvador/Bahia, 2010.






[1] Juliana Ribeiro é cantora, compositora, historiadora e pesquisadora musical.
[3] Ibidem
[4] IBID.
[5] Carnaval Outro Negro, 2011, 3ª Edição, pg 21.

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