O Ciclo da Semana Santa em São
Cristóvão/Se
Jornal Correio de Sergipe, CSCultura, Correio de Sergipe, 31 de março de 2015.
Após o Carnaval vem um
período dedicado ao cristianismo, a Quaresma. Um momento muito especial para os
cristãos. A Quaresma inicia na Quarta-Feira de Cinzas e vai até o Sábado de
Aleluia, é um momento de preparação simbólica para a ressurreição de Cristo. Em
São Cristóvão durante esse período, acontece a Festa Nosso Senhor dos Passos ou
a Procissão, como está na propositura para o Registro como Bem Imaterial do Patrimônio
Cultural Sergipano.
O Ciclo da Semana Santa inicia com o Domingo
de Ramos, que simboliza a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém. A história nos conta
que ele foi saudado pelo povo com Ramos de Oliveira. Em São Cristóvão, as
pessoas levam mais Palmeiras. A são cristovense e devota da religião católica,
Denize Santiago, nos explica que o fato das pessoas levarem Palmeiras se dá
pelas condições ambientais favorecidas aqui no Brasil, um país tropical.
De acordo com a
programação desse ano, no dia 29 ocorre as 07hs, a Benção de Ramos na Igreja do
Amparo(sendo que a cada ano pode mudar de igreja), segue em procissão até a
Matriz onde ocorre a Missa de Ramos. Para ver a programação completa da Semana
Santa em São Cristóvão, ano 2015, acesse o site da Paróquia Nossa Senhora da
Vitória-São Cristóvão. Para maiores informações, procurem também a Pascom na
cidade.
Durante a Semana Santa
em São Cristóvão, as manifestações podem ser consideradas complementares a
Festa Nosso Senhor dos Passos, como: a Procissão do Fogaréu que ocorre na
quinta-feira a noite e a Liturgia da Paixão e Morte do Senhor que ocorre na
Igreja Matriz, a partir das quinze horas, na Sexta-Feira Santa, em seguida
acontece a procissão silenciosa em direção a Praça do Carmo onde ocorre o
Sermão das Sete Palavras, prosseguindo do Canto da Verônica, outro momento
esperado pelos fies repetindo o que ocorre na Procissão do Encontro realizada
na Festa de Nosso Senhor dos Passos. Como também nesse mesmo momento, enquanto
a Verônica canta, é realizada a descida da Imagem de Cristo da Cruz. Em 2015,
após treze anos, teremos uma nova Verônica. Ao termino do Canto, vem a
Procissão do Senhor Morto, em retorno a Igreja Matriz.
Concernente a
Quinta-Feira Santa, as 19hs ocorre a Missa Santa Ceia do Senhor na Igreja Nossa
Senhora da Vitória(matriz), depois vem o Rito do Lava Pés. São 12 homens
escolhidos pelo pároco e/ou comunidade. Esses homens representam simbolicamente
os Apóstolos de Cristo. Após a missa acontece a Transladação do “corpo de
Cristo” ( hóstia consagrada), saí do Sacrário dar uma volta pela igreja e vai para
um local reservado. Porém, segundo Vânia e Denize, alguns párocos fazem o
translado fora da matriz, de uma Igreja para outra, ou de um monumento religioso
para outro. Só retornando para a igreja na Seixa Santa. De acordo com Denize,
esse ano a Transladação será para a Casa Franciscana, vizinha a Igreja Matriz.
Depois as pessoas caminham até a Praça São Francisco, de onde sai a Procissão
do Fogaréu.
A Procissão do Fogaréu
é um ato que representa a prisão de Jesus, atrai centenas de visitantes e
devotos, para relembrar o que foi vivido por Cristo. Homens vestidos de branco,
carregam em suas mãos tochas de fogo, lamparinas, velas e matracas e saem pelas
ruas escuras do Centro Histórico, encenam a perseguição a Jesus Cristo. Durante
o percurso são encenados cinco principais acontecimentos: a entrada de Jesus
Cristo a Jerusalém; Oração no Horto das Oliveiras; a Última Ceia, Prisão e a Ressurreição
de Cristo. A procissão é um evento cultural-religioso e faz parte do calendário
cultural de Sergipe.
Suspenso em 1963, pelo vigário Frei Fernando,
só retorna 15 anos depois sob a liderança do Sr Daniel de Lima Costa, em 1978.
No ano passado aconteceu Procissão do Fogaréu, sem as encenações. Porém, esse
ano a procissão junto com as referidas encenações está retornando com grande
expectativa. Em conversa com o Sr. Daniel, ele comentou sobre o percurso desse
ano, a saber: inicia na Praça São Francisco (Patrimônio da humanidade),
seguindo pela rua Erundino(rua da Igreja do Rosário); Praça João Firmino dos
Reis; 31 de março; São Bento, Messias Prado(rua da Flores; Praça do
Carmo(momento onde ocorre os atos Tentação
e a Prisão de Cristo); prossegue pelas ruas Tobias Barreto; praça da Igreja
Matriz e termina na rua Frei Santa Cecília, próximo a Praça São Francisco,
praticamente encerra de onde começou. A procissão é exclusivamente masculina, mas,
em alguns atos existe a participação de mulheres e muitas ficam nas esquinas
observando. Normalmente inicia entre as 20:15/20:30 e termina as 22hs. Ao
chegar a rua Santa Cecília, apagam-se as tochas e as lamparinas, posteriormente
levam todo o material para o pátio do Convento São Francisco, onde ficam
guardados esses materiais da procissão.
No sábado, as 09hs têm
a Celebração das Sete Dores, em seguida procissão silenciosa com as Imagens de
Nossa Senhora das Dores e o Senhor Morto, até a Igreja do Carmo Menor. A noite,
as 19:30, acontece a Missa da Vigília Pascal na Igreja Matriz, em seguida
procissão com a Imagem de Cristo Ressuscitado.
No domingo da Ressurreição
do Senhor ou Páscoa que segundo Denize significa a passagem da vida velha pra a
vida nova, a ressurreição, as 06hs horas ocorre a caminhada das mulheres, uma
procissão exclusivamente feminina, onde as ela seguem vestidas de branco, simbolizando
a paz e representando as santas mulheres que foram levar perfumes para o
Senhor, e se tornaram as testemunhas da ressurreição, saindo da Praça São Francisco
até a Igreja do Carmo. Durante a referida caminhada ocorrem três paradas para
reflexão, momento em que algumas mulheres escolhidas antes do cortejo, podem
prestar testemunhos de sua vida religiosa. Chegando a frente à Igreja do Carmo,
é saudado com água perfumada ma medida que vão entrando na citada igreja. Em
seguida inicia-se a Missa da Páscoa. Após a supracitada missa, termina com o
café da manhã.
Assim,
se encerra o Ciclo da Semana Santa da cidade de São Cristóvão em Sergipe, um
momento muito aguardado pelos cristãos e que faz parte da cultura local, e do
Estado, como também, a Semana Santa é parte integrante da história e cultura
brasileira.
Aracaju,
29 de março de 2015.
Marcos Paulo Carvalho Lima
Licenciado em
História pela UFS
Especialização
em Ensino para a
Igualdade nas Relações Étnico-Raciais/FSLF
Pesquisador
Fontes
Consultadas:
Pascom/Paróquia
Nossa Senhora da Vitória-São Cristóivão/Se
Entrevistas:
Denize
Santiago da Silva
Vânia
Correia
Daniel
de Lima Costa
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