terça-feira, 24 de maio de 2016

JORNAL DA CIDADE


14/08/2015 ÀS 09H10 - ARTIGOS

Folclore e o Patrimônio Cultural Brasileiro

Licenciado em História pela UFS, Especialização em Ensino para a Igualdade nas Relações Étnico-Raciais pela FSLF e Pesquisador
Por: Marcos Paulo Carvalho Lima
A cultura popular tradicional, que envolve o folclore, os folguedos populares, o artesanato, as quadrilhas juninas, as culturas oriundas de comunidades indígenas, as afro-brasileiro, as ciganas, ribeirinhas, as com influência árabe, a culinária, são elementos formadores do patrimônio cultural brasileiro.
Em 1965 o Congresso Nacional oficializou que todo o dia 22 de agosto será celebrado o Dia Nacional do Folclore. É um momento comemorativo, entendemos como uma das formas de trabalhar no sentido de valorizar e difundir as histórias e culturas de personagens do folclore desse país rico em diversidade cultural. O Folclore está inserido também no contexto do que compreende o patrimônio cultural. O dia 17 de agosto é o dia do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro. No entanto, para considerar bens culturais como patrimônio, precisa do reconhecimento da comunidade local e a sociedade, em conjunto com os fazedores dos saberes e fazeres dessas culturas referenciais e representativas de época, com apoio dos órgãos governamentais. Podemos indagar de tal forma: O que é ser brasileiro? Para os sergipanos, O que é ser Sergipano? Isso são questões que constantemente devem ser abordadas pelas instituições educacionais e culturais. A brasilidade e a sergipanidade. Dessa forma, para obtermos entendimentos sobre identidades culturais, um tema bastante complexo, os estudos acadêmicos e realizados por profissionais da área do patrimônio cultural sãos primordiais. Não podemos deixar de citar estudiosos como o sergipano Sílvio Romero, Câmara Cascudo, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freire, entre outros, colaboradores para o processo de identificação das culturas identitárias do país. 
As primeiras medidas para o reconhecimento de um bem como patrimônio cultural, é o encaminhamento de propositura ao Conselho Estadual de Cultura ou de Patrimônio como ocorre em alguns estados que existe Conselho de Patrimônio Cultural, devendo conter: introdução, justificativa, documentação iconográfica, vídeos, entre outros meios que subsidiem o pedido, podendo ser feito por órgãos públicos, cidadãos, organizações da sociedade civil, associações, entre outros. Neste contexto, o Governo do Estado de Sergipe, reconhece através de Decreto, os grupos folclóricos: A Taieira e o São Gonçalo, ambos do município de Laranjeiras como Patrimônio Imaterial Sergipano. 
Concernente A Taieira de Laranjeiras, surgiu em meados do século XIX, com a avó e a mãe de Dona Bilina, herdeira da tradição religiosa africana Nagô. Dona Bilina faleceu em 27 de setembro de 1974, em seguida a taieira fica sob a liderança de Dona Maria de Lourdes Santos, que veio a falecer em outubro de 2002. Após o falecimento de Dona Lourdes, sua filha Bárbara Cristina dos Santos passa a liderar o grupo, a partir de janeiro de 2003. A Taieira de Laranjeiras é reconhecida como Patrimônio Imaterial Sergipano, através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013. O grupo é pertencente ao ciclo natalino, sai em cortejo pelas ruas de Laranjeiras, e quando são convidadas a participar de eventos e/ou encontros onde ocorrem manifestações da cultura tradicional.
Referente a Dança de São Gonçalo, de acordo com a pesquisadora Aglaé D’Ávila, é uma dança de origem portuguesa, em louvor a São Gonçalo do Amarante, organizada geralmente em pagamento de promessa ou voto de devoção. Fazendo parte da bagagem cultural lusitano, a dança que integrava o culto a São Gonçalo de Amarante, popular em Portugal, foi introduzida no Brasil, sendo aqui registrada pela primeira na Bahia em 1718. 
A Dança de São Gonçalo de Amarante da Mussuca é uma das manifestações folclóricas mais divulgadas e apreciadas pelos sergipanos. É talvez um dos ritos mais difundidos do catolicismo rural brasileiro. A Dança de São Gonçalo da Mussuca tem reconhecimento como Patrimônio Imaterial pelo Governo do Estado, através do Decreto nº 29.558, de 23 de outubro de 2013, o mesmo que reconhece A Taieira.
No entanto, para que as novas gerações possam desfrutar e apreciar essas culturas, é preciso que o poder público desenvolva mecanismos e programas visando à salvaguarda desses bens relativos, as formas de sociabilidade, a religiosidade, os modos de saber e fazer, os relacionados ao meio ambiente, entre outros. Por tanto, faz-se necessário ações de produção de conhecimento e documentação, de sensibilização da sociedade, instrumentos e mecanismos de fomento e promoção. Como diz a professora Ana Conceição Sobral de Carvalho, “O patrimônio cultural do povo deve ser preservado e vivenciado por cada um de nós, sem diferença de época ou poder!
Dessa forma, a fim de salvaguarda a memória coletiva de um povo, é fundamental estudos e pesquisas: filmagens, entrevistas, encontros, registros iconográficos, pesquisas de campo, estudos bibliográficos, elaboração de textos, sistematização de informações, inerentes aos bens culturais reconhecidos. Isso são procedimentos técnicos que chamamos de patrimonialização de um bem histórico e cultural, objetivando à elaboração de inventários e o registro de bens reconhecidos pelo Poder Público, em respectivos Livros de Registro. 
A fim de dar continuidade histórica aos bens culturais representativos, é preciso realizar projetos educativos e programas de educação patrimonial. 
Um exemplo que cito neste momento, é uma exposição denominada “Nosso Folclore”, que se encontra a partir do dia 10 de agosto deste ano na Biblioteca Pública Epifãnio Dória, atividade realizada através da Sala de Cultura Popular em parceria com a Diretoria do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural/DPHAC e a Galeria de Arte J Inácio, ambas as unidades são vinculadas a Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe. A DPHAC é um organismo responsável por coordenar as ações e políticas públicas voltadas à preservação do patrimônio cultural sergipano. A Galeria de Arte J Inácio, além de disponibilizar um espaço que propicia aos artistas plásticos sergipanos divulgar suas obras de artes, também colabora com montagem de exposições.
Essas ações são de fundamental importância para o processo educativo, de fomento, difusão e promoção do folclore e o patrimônio cultural, seja de ordem material e imaterial. Essas atividades possibilitam que as escolas e universidades tenham oportunidades de agendar durante o mês de agosto, atividades com objetivo de realizar aulas sobre a história e cultura local fora do âmbito de ensino, tanto o básico como o universitário e colabora com o exercício de educação patrimonial.

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